Guterres adverte para "conflito entre pessoas e natureza"

por Carlos Santos Neves - RTP
A anteceder a reunião de chefes de Estado e de governo com início na próxima segunda-feira, a sede da ONU recebeu a Cimeira da Ação Climática para a Juventude Carlo Allegri - Reuters

Na abertura da Cimeira da Ação Climática para a Juventude, evento que antecede a reunião de chefes de Estado e de Governo com início na próxima segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas sustentou que “não faz sentido” que o dinheiro dos contribuintes “seja usado para provocar furacões, branquear corais ou destruir comunidades”. Em Nova Iorque, António Guterres quis apontar holofotes para o que descreveu como um “sério conflito entre pessoas e natureza”.

Apresentado como “ouvinte principal” – e não como orador –, o secretário-geral das Nações Unidas, que este sábado abriu as portas da sede da organização a meio milhar de jovens ativistas, sustentou que se impõe um novo modelo económico com as alterações climáticas em mente.Na sexta-feira, milhões de pessoas manifestaram-se em mais de 150 países pelo clima, reclamando ações concretas por parte dos governos.


O atual “conflito entre pessoas e natureza”, acentuou António Guterres, “pode ser absolutamente destrutivo para o futuro das comunidades e das sociedades”.

A resposta aos atuais desafios, ainda segundo Guterres, poderia passar por uma estratégia win-win que harmonizasse a ação climática, uma globalização mais justa, a denominada Agenda 2030 e as metas de desenvolvimento sustentável.

Num contexto de afastamento dos Estados Unidos dos objetivos de Paris, pela mão da Administração Trump, António Guterres chamou a atenção para o papel da juventude no diálogo internacional sobre as alterações climáticas, nos últimos dois anos.

“Esta alteração no impulso foi, em grande parte, devido à vossa iniciativa e coragem com que começaram o movimento e transformaram, de um pequeno movimento em frente a um Parlamento, em milhões de todo o mundo dizerem que não querem apenas que os políticos alterem o comportamento, mas que sejam também responsabilizados”, afirmou o secretário-geral da ONU diante dos participantes na Cimeira da Ação Climática para a Juventude.


“Cada vez mais, responsabilizem mais a minha geração. A minha geração tem fracassado, até agora, em preservar a justiça no mundo e em preservar o planeta”, reconheceu o antigo primeiro-ministro português.
“A crise política da nossa época”

O secretário-geral das Nações Unidas falou após as intervenções de quatro ativistas, entre os quais a sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que clamou que “os jovens não poderão ser travados”. Mas foi o discurso de Bruno Rodríguez, argentino de 19 anos, a oferecer o tom para a reunião deste sábado.

“O clima e a crise ecológica são a crise política da nossa época”, lançou, para acrescentar: “Só ouvimos dizer que a nossa geração deverá resolver os problemas criados pelos atuais dirigentes, mas não vamos esperar passivamente que nos tornemos nesse futuro”.

“Chegou o momento de sermos nós os líderes”, propugnou Rodríguez.

Tem início na próxima segunda-feira uma cimeira especial dedicada às alterações climáticas convocada por António Guterres. São esperadas intervenções de seis dezenas de chefes de Estado e de governo na sede da ONU, em Nova Iorque.

“Estamos sempre prestes a perder a corrida. Continuamos a subvencionar energias fósseis e ainda há centrais a carvão. Mas a dinâmica está a mudar”, vaticinou o secretário-geral.

c/ agências

Tópicos