Incêndios fazem com que caia chuva escura em São Paulo

| Ambiente

Água escura recolhida em São Paulo
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Na tarde desta segunda-feira caiu chuva escura na cidade de São Paulo. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) afirmou que esta cor foi provocada pelo incêndios que assolam atualmente o país. O "dia virou noite" devido às nuvens de fumo que encobriram a cidade.

Na tarde desta segunda-feira, pelas 15h30 locais, ainda o sol não se tinha posto, em São Paulo, mas rapidamente o “dia virou noite”. Uma forte frente fria, de Sudeste, avassalou a cidade e trouxe várias nuvens escuras, carregadas com o fumo de alguns incêndios.

"O dia virou noite ontem à tarde aqui em São Paulo", escreveu uma das moradoras da cidade no Twitter.
"O fumo não veio de incêndios do estado de São Paulo, mas de incêndios muito densos e amplos que estão a acontecer há vários dias em Rondônia e na Bolívia. A frente fria mudou a direção dos ventos e transportou esse fumo para São Paulo", afirmou à Globo, Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo.

“Aqui na região da Grande São Paulo tivemos a combinação desse excesso de humidade com o fumo, então deu essa aparência no céu”, acrescentou.

De acordo com a análise feito pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), parte deste fenómeno foi provocado pelo incêndio na Amazónia. Porém, "outra parte considerável, talvez a predominante, [provém] de incêndios de grandes proporções, originadas nos últimos dias perto da tríplice fronteira da Bolívia, Paraguai e Brasil, próximo da região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul".

No entanto, os meteorologistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) ainda não verificaram a possível ligação entre os incêndios e o aumento na nebulosidade que deixou a cidade às escuras.

"O vento até pode trazer o fumo dos incêndios, mas teria que ser bem intenso o incêndio. Geralmente, isso ocorre mais com a fumaça dos vulcões", revelou uma das meteorologistas do INPE, Caroline Vidal.
E choveu água preta
As nuvens de chuva têm a capacidade de acumular tudo o que se encontra na atmosfera.

"A chuva é um processo de limpeza da atmosfera", afirmou a meteorologista do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), Beatriz Oyama.

De acordo com o físico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Theotonio Pauliquevis, "as nuvens de chuva ficam de 1,5 a dez quilómetros do solo. Quando a poluição parte do nível de superfície devidos aos carros ou fábricas, ela fica presa nas nuvens e forma uma camada visível, mais escura, no horizonte".

"Quando a água cai, bate nas partículas e a chuva trás essa poluição", explicou.

O fumo dos incêndios ao atingir as nuvens de chuva forma uma “espécie de gosma que dá origem às nuvens escuras e avermelhadas e também à chuva 'preta', mais escura que o normal", explicou o pesquisador.

As amostras recolhidas por alguns moradores na cidade de São Paulo revelaram substâncias provenientes da queima de biomassa, presente maioritariamente nas florestas.

A pesquisa feita pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de reteno na água da chuva. Esta substância é o primeiro indicador de que ocorreu um incêndio.

"Água escura da chuva em São Paulo contém partículas provenientes de incêndios", lê-se num tweet do jornal brasileiro, Jornal da Chapada. 
Uma outra análise realizada pela Universidade Municipal de São Caetano (USCS) revelou também a concentração de fuligem - substância preta proveniente da decomposição de matérias combustíveis. A quantidade encontrada foi sete vezes superior ao normal. Já a presença de sulfetos foi dez vezes maior do que a média registada.

"Se estamos com sete vezes mais do que deveria ter, tenho nessa água substâncias químicas que podem afetar a saúde. Agora vamos ter de investigar", assegurou Marta Marcondes, bióloga e professora da linha de pesquisa de saúde e meio ambiente da USCS.
 
O diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), Marcos Buckeridge, também acredita que este fenómeno climático possa ter efeitos nocivos para o ser humano.

"Se tivéssemos recebido o fumo sobre a cidade, sem a presença de uma frente fria que trouxe a chuva, isso poderia ter um efeito muito pior nas pessoas", assegurou.

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