Trump sai quase verde de reunião com primeira-ministra da Noruega

| Ambiente

“Poderíamos, concebivelmente, regressar”, afirmou o 45.º Presidente dos Estados Unidos a propósito do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas
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A reunião desta semana entre o 45.º Presidente dos Estados Unidos e a primeira-ministra da Noruega ocupou pouco mais de uma hora da agenda da Casa Branca. À saída do encontro com Erna Solberg, Donald Trump arriscou novas cambalhotas de política externa, mostrando-se - uma vez mais sem detalhar condições - inclinado a devolver a América à letra de um renegociado Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Foi breve a conferência de imprensa partilhada, na quarta-feira, por Trump e Solberg. Mas a duração foi suficiente para que o atual inquilino da Casa Branca exercitasse aquilo que os seus maiores detratores têm descrito como uma veia errática.

Referindo-se elogiosamente às políticas energéticas da Noruega, sobretudo no domínio hidroelétrico, Donald Trump acabaria por admitir que os Estados Unidos podem até “regressar” ao Acordo de Paris, do qual, na prática, só poderiam sair após o próximo ciclo de eleições presidenciais. “Concebivelmente”, fez notar.
No âmbito do Acordo de Paris, firmado pelo Presidente Obama, os Estados Unidos comprometeram-se com uma redução entre 26 a 28 por cento das emissões de gases com efeito de estufa até 2025, face aos índices de 2005.
“Honestamente, não tenho problemas com esse acordo em absoluto, mas tenho um problema com o acordo que assinaram, pois, como sempre, eles concluíram um mau acordo. Poderíamos, concebivelmente, regressar”, oscilou o Presidente norte-americano.

Esta não é a primeira ocasião em que o sucessor de Barack Obama deixa a porta entreaberta a um regresso à mesa das negociações, à escala global, sobre a resposta aos efeitos das alterações climáticas. Sempre sem detalhes sobre o enquadramento de tal processo, ou as condições a aceitar pela sua Administração.

“Somos muito fortes no ambiente”, clamou, ainda assim, Trump ao lado da primeira-ministra norueguesa, fazendo aparente tábua rasa das políticas ambientais que tem vindo a promover – o desinvestimento na Agência de Proteção Ambiental, o travão a disposições legais de proteção dos consumidores norte-americanos face à poluição e a promoção de energias poluentes, como observa o site Quartz.

Quase em simultâneo, o Presidente aplaudiu as opções energéticas norueguesas, dizendo que gostaria de ver a América “fazer um pouco disso”, e martelou que os Estados Unidos são “um país rico em gás, em carvão, em petróleo e em muitas outras coisas”, pelo que o entendimento de Paris foi “mau para as empresas”.

Trump ainda arranjaria tempo para voltar à campanha de 2016 contra Hillary Clinton, criticando-a por apoiar o recurso à energia eólica.

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Acordo, Alterações climáticas, Donald Trump, Erna Solberg, Estados Unidos, Noruega, Paris, Presidente, Primeira-ministra,

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