António Costa e Rui Rio conquistam maiorias absolutas

António Costa e Rui Rio conquistam maiorias absolutas

O último escrutínio do ciclo aberto em Junho com as eleições europeias deu a António Costa uma maioria inédita em Lisboa e reeditou a maioria absoluta de Rui Rio no Porto, à frente da aliança entre PSD e CDS-PP. Se o autarca do PS reivindicou o "melhor resultado de sempre", o presidente reeleito da autarquia portuense atacou os "vencidos que não se candidataram".

Carlos Santos Neves, RTP /
Em Lisboa, a candidatura de António Costa assegurou nove mandatos; no Porto, Rui Rio conquistou sete Lusa

No momento em que António Costa ocupou o púlpito socialista para reivindicar um "resultado histórico", o fecho da contagem de sufrágios para a autarquia da capital acabava de dar ao PS um total de nove mandatos (44,01 por cento dos votos) contra sete da coligação Lisboa com Sentido (38,69 por cento), encabeçada pelo antigo líder do PSD Pedro Santana Lopes.

O escrutínio atribuiu ainda um mandato à coligação PCP-PEV. Arredado da Câmara Municipal de Lisboa ficou o cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, que não foi além dos 4,56 por cento dos votos.

"Esta candidatura, que é uma candidatura do PS, mas que não é só do PS, teve hoje um resultado histórico ao alcançar a maioria absoluta para a Câmara de Lisboa. Este é o melhor resultado de sempre alcançado no concelho de Lisboa e em qualquer tipo de eleição por uma lista apresentada pelo PS", assinalou António Costa, acompanhado de Helena Roseta, José Sá Fernandes e Carlos do Carmo. Para logo acrescentar que "esta é, desde 1976, a primeira vez que a direita coligada é derrotada na cidade de Lisboa".

O autarca reeleito, que não esperou pelo fim da declaração de Manuela Ferreira Leite, antecedida por José Sócrates, argumentou também que os resultados eleitorais comportam uma "mensagem política muito clara": "Quem percebeu que o caminho era unir por Lisboa ganhou, quem não quis unir por Lisboa perdeu".

Resultados deixam Santana Lopes a "ponderar"

O cabeça-de-lista da coligação entre PSD, CDS-PP, Movimento Partido da Terra e Movimento Popular Monárquico optou por falar antes do apuramento de votos nas últimas freguesias de Lisboa. Fê-lo para defender a necessidade de a capital ter uma "oposição viva, actuante, conhecedora dos dossiers, dos assuntos da governação de Lisboa, para Lisboa saber o que se passa no presente e no futuro". Mas também para atacar o que considerou ser "a gravidade inaceitável da discrepância entre as sondagens e os resultados que se verificam".

"O doutor António Costa é o vencedor sem mácula destas eleições. Não está aqui em causa menos respeito pela vitória de quem ganha. Agora, é inaceitável, é uma vergonha para a democracia portuguesa que na mesma semana de eleições, a três dias de eleições, no própria dia das eleições, a três horas da contagem dos votos, se dê 12 por cento e 13 por cento", frisou Santana Lopes.

"Eu tive de fazer esta campanha, desde há dois meses, com sondagens de dez por cento, de nove por cento, de 11 por cento. Hoje, creio que já ia em 15. Como é evidente, isto tem efeitos no ânimo das pessoas", reforçou o antigo líder do PSD. "Para as próximas eleições em Portugal, isto não pode de todo continuar".

Pedro Santana Lopes deixou por esclarecer se tenciona exercer o cargo de vereador: "A minha intenção, neste momento, é vir a exercer esse cargo. Quero ponderar e anunciarei muito brevemente se irei exercer o cargo de vereador".

Questionado sobre a eventualidade de vir a travar um novo combate interno pela liderança dos sociais-democratas, o antigo primeiro-ministro disse não querer envolver-se em "questões partidárias".

"Faço tensões, nos próximos tempos, de me dedicar aos assuntos de Lisboa, aos meus assuntos profissionais e aos assuntos da minha família, não aos assuntos partidários", rematou.

"O Porto não está moribundo"

Na Invicta, a coligação entre sociais-democratas e democratas-cristãos logrou renovar a maioria absoluta com sete mandatos (47,48 por cento dos votos), contra os cinco mandatos conquistados pelo PS (34,70 por cento), que teve na eurodeputada Elisa Ferreira a sua cabeça-de-lista. À semelhança de Lisboa, a CDU garante um mandato na Câmara Municipal do Porto.

Ao fazer o discurso da vitória, Rui Rio sublinhou ser "uma honra e um orgulho voltar a merecer a confiança" dos eleitores portuenses. Adiante salientaria o facto de estar "a fazer política" para deixar um apelo "aos vencidos que não se candidataram": "São aqueles que durante quatro anos, para não dizer oito anos, utilizaram a comunicação social não para informar, mas para estar permanentemente a fazer oposição à Câmara do Porto".

"Estou a fazer um apelo geral para que haja, na comunicação social, mais isenção e mais independência", afirmou o autarca do Porto.

Em seguida, Rio dirigiu-se ao poder central, exortando o futuro governo a encarar o presidente da Câmara portuense não como "adversário político", antes "como parceiro para o desenvolvimento do Porto". Mas não deixou de apontar críticas ao ainda ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que, enquanto cabeça-de-lista do PS para a Assembleia Municipal do Porto, disse que a cidade estava "moribunda".

"O Porto não está moribundo, mas se o ministro das Finanças é do Porto e acha isso, porque não ajudou a tirar o Porto dessa situação?", questionou-se.

Elisa Ferreira culpa "falta de debate público"

Na hora de assumir a derrota na corrida à autarquia do Porto, Elisa Ferreira argumentou ter sido "muito agredida" pela aliança de direita e "prejudicada pela falta de debate público e pela sobreposição de duas eleições".

A candidata socialista batida por Rui Rio, que vai agora reassumir o seu assento no Parlamento Europeu, sustentou que os cinco representantes do PS vão dar "um contributo sério para melhorar a governação da cidade".

"Esta é uma candidatura vencedora, pelo trabalho cívico e qualidade das propostas. Fica na cidade o sinal de que é possível um partido abrir-se, combinar-se com a sociedade civil. Há aqui uma sociedade civil viva e forte, que tem de ser trazida para o combate em prol de uma sociedade e de uma cidade melhor", resumiu.

"Sempre fui transparente e clara. Vou assumir o lugar no Parlamento Europeu como muita tristeza, porque gostaria de ter ficado no Porto. Uma pessoa que está a fazer um bom trabalho e se disponibiliza para vir para a cidade está valorizada. É preciso ter uma leitura muito capciosa da vida para vender isso como algo negativo", prosseguiu Elisa Ferreira.

A candidata derrotada argumentou, por fim, que "houve uma grande dificuldade em fazer passar" as ideias da lista socialista: "Elas foram recebidas por muita agressividade, muita violência. Muitos dos que hoje estão aqui foram objecto de vexames e insultos".

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