Noite sem grandes surpresas no Porto com reeleição de Rui Moreira, mas sem maioria absoluta

por RTP
Estela Silva - Lusa

Rui Moreira assegurou a continuidade à frente da Câmara Municipal do Porto, avançando para o seu terceiro e último mandato. No entanto, perdeu a maioria absoluta conquistada nas autárquicas de 2017, segundo dados provisórios do Ministério da Administração Interna.

Com todas as freguesias apuradas (sete), o movimento independente Rui Moreira: Aqui Há Porto! obteve 40,72% dos votos e seis mandatos. Em segundo lugar ficou o candidato do PS, Tiago Barbosa Ribeiro, com 18,02% e três mandatos, enquanto o candidato do PSD, Vladimiro Feliz, conseguiu 17,25% dos votos e dois mandatos.

CDU e Bloco de Esquerda conseguiram um mandato cada, depois de obterem 7,51% e 6,25% dos votos, respetivamente.

Em 2017, Rui Moreira obteve 44,46% dos votos e sete dos 13 mandatos, governando assim com maioria absoluta.

“Esta noite, o partido que uma vez mais ganhou foi o Porto”, começou por anunciar o candidato independente no seu discurso de vitória.

“Saberemos interpretar a vontade dos portuenses, ouvindo e envolvendo todos os eleitos, aliás, como sempre fizemos”, sublinhou.

Rui Moreira disse ainda ser “urgente para o bem da democracia” a criação de uma federação de candidatos dos movimentos independentes. “Este projeto político independente que eu tenho a honra de liderar, a par com as centenas de candidatos independentes de todo o país que hoje foram a votos, não pode continuar diluído e submetido ao interesse e ao tacticismo carreirista de muitos dirigentes partidários”, afirmou.
Rui Moreira congratulou-se por o seu partido não ter perdido qualquer Junta de Freguesia independe e salientou que somou ainda a vitória do candidato à Junta de Freguesia de Campanhã, “que muito contribuiu para o reforço da nossa vitória”.

Rui Moreira conquistou a câmara pela primeira vez em 2013, tendo sido reeleito nas eleições seguintes. Nas autárquicas de 2017, o candidato independente conquistou a maioria absoluta com 44,46 por cento dos votos e sete mandatos.
BE elege um vereador
Já com os resultados das freguesias apurados, o BE congratulou-se com a eleição do primeiro vereador na Câmara do Porto, assinalando que tal "se deve" ao partido.

"[É] também o fim do reinado do rei Moreira e da sua `Via Verde´ no executivo municipal. Queria dizer a Rui Moreira uma coisa importante, que afinal o improvável acontece", atirou o cabeça de lista do BE, Sérgio Aires.

Nas eleições deste domingo, o BE que até então tinha apenas representação na assembleia municipal e juntas de freguesia, conquistou 6,25% dos votos, elegendo pela primeira vez um vereador.

Por oposição, o PS perde um mandato comparativamente às eleições de 2017, ao conseguir este domingo 18,02% dos votos, elegendo três vereadores para o executivo.

Em reação aos resultados ainda não consolidados, Tiago Barbosa Ribeiro afirmou que o PS sai como o "maior partido" da cidade, mantendo o segundo lugar nas eleições.

"Só tenho uma palavra. As questões de governabilidade na Câmara do Porto não se colocam", afirmou o socialista, garantindo que continuará a não aceitar nenhuma aliança.

Contrariamente ao PS, o PSD duplicou o número de mandatos, elegendo mais um do que em 2017.

O social-democrata Vladimiro Feliz - que conquistou 17,25% dos votos, elegeu dois vereadores -- assumiu, contudo, que "os resultados deste domingo não foram os ambicionados", sublinhando que, embora o independente Rui Moreira tenha sido reeleito, falhou o objetivo de ter maioria.

Apesar de ser a terceira força política mais votada no Porto, atrás do independente Rui Moreira e do PS, Vladimiro Feliz acredita que o PSD vai ganhar as eleições autárquicas nos próximos quatro anos.

Ainda com freguesias por apurar, a cabeça de lista da CDU Ilda Figueiredo confirmava já a sua reeleição como vereadora, adiantando ter obtido uma subida na votação e de representatividade nas freguesias.

"A luta vai continuar, provavelmente em melhores condições para defender os interesses e os direitos dos moradores e o desenvolvimento da cidade do Porto, uma cidade progressista, mais justa, solidária", disse. Com 7,51% dos votos, Ilda Figueiredo mantém o seu lugar na vereação.

À semelhança da vereação, o independente Rui Moreira obteve 34,51% dos votos para a assembleia municipal, mas também sem maioria e perdendo um deputado. Neste órgão, o PS perdeu três deputados (oito), o PSD ganhou três (oito), CDU, BE e PAN mantém o número de deputados e o Chega elege o primeiro.

Também nas freguesias, o movimento independente Aqui Há Porto conquistou cinco das seis freguesias a que se candidatou, tendo perdido Paranhos para o PSD. Em Campanhã, o independente decidiu apoiar o socialista e atual presidente da junta, Ernesto Santos, que foi reeleito.

Nas autárquicas de 2017, o autarca Rui Moreira foi reeleito para o cargo, com maioria absoluta, tendo conquistado 44,46% dos votos e alcançado sete mandatos, contra seis da oposição: quatro do PS, um do PSD/PPM e um da CDU.

Em 2013, quando foi eleito pela primeira vez, o independente conseguiu conquistar 39,25% dos votos e seis vereadores, contra três do PS, três do PSD/PPM e um da CDU.

c/Lusa
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