Estudo revela que partículas poluentes atravessam a placenta

por RTP
Para a investigação foram analisadas as placentas de 25 mulheres não fumadoras que vivem na cidade de Hasselt Alessandro Bianchi - Reuters

Um estudo publicado esta terça-feira revela que foram encontradas partículas de carbono na placenta. Esta foi a primeira investigação a demonstrar que partículas poluentes conseguem atravessar a "barreira" maternal.

A investigação publicada pela revista Nature Communications demonstra como os bebés são expostos à poluição do ar ainda antes de nascer. O estudo conclui que partículas poluentes são capazes de se deslocarem dos pulmões das progenitoras para a placenta.

Para a investigação foram analisadas as placentas de 25 mulheres não fumadoras que vivem na cidade de Hasselt. Em todas as placentas foram encontradas nanopartículas poluentes.

Para além disso, a investigação indicou ainda uma relação entre o número de partículas encontradas e o nível de exposição a poluição por parte da progenitora. Neste âmbito, as mulheres que viviam em zonas com maior trânsito apresentaram níveis mais elevados de presença de partículas na placenta – uma média de 20 mil nanopartículas por milímetro cúbico.

Por sua vez, aquelas que habitavam nas zonas mais afastadas do centro da cidade apresentaram uma média de dez mil nanopartículas por milímetro cúbico.

De acordo com os investigadores, esta exposição do feto a partículas poluentes tem consequências visíveis ao longo da vida. Para além disso, sustentam que esta descoberta pode estar relacionada com o aumento de abortos, nascimentos prematuros e o baixo peso dos recém-nascidos.

“Este é o período mais vulnerável da vida. Todos os órgãos estão em desenvolvimento”, explicou ao jornal The Guardian o professor Tim Nawrot, da Universidade de Hasselt, na Bélgica, que liderou a investigação, apelando que “para a proteção das gerações futuras, temos que reduzir a exposição [à poluição]”.

Este foi o primeiro estudo a demonstrar que a placenta humana não é impenetrável a partículas.

Tal como o próprio relatório indica, foram realizados, nos últimos anos, vários estudos que investigavam a capacidade das partículas em atravessar a placenta. No entanto, é uma área insuficientemente estudada dada a limitação desses mesmos estudos.

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