CDS-PP/Lisboa propõe criação de gabinete de crise com fundo de 200ME

por Lusa

Os vereadores do CDS-PP na Câmara de Lisboa vão propor hoje a criação de um gabinete de crise associado a um fundo de emergência de 200 milhões de euros para apoiar financeiramente as empresas e os munícipes.

Na reunião extraordinária da autarquia liderada pelo PS, marcada para as 15:00 de hoje por videoconferência e que tem como ponto único o debate da pandemia de covid-19, os centristas vão apresentar um conjunto de propostas divididas em três eixos: prevenção, combate e recuperação económica.

Em declarações à agência Lusa, a vereadora centrista Assunção Cristas destacou que o CDS-PP apresentará "ideias mais concretas" sobre o eixo da recuperação económica, uma vez que é "o que estás menos trabalhado ao nível da Câmara de Lisboa".

"Nesta fase, é importante garantir que a economia da cidade não morra. E quando estamos a falar de economia da cidade, estamos a falar do comércio, do turismo, estamos a falar de muitas prestações de serviços, de muitas situações de autoemprego e várias situações que neste momento estão numa situação de grande fragilidade, de grande debilidade, porque de repente ficaram sem atividade e, em muitos casos, ficar sem atividade é ficar sem qualquer tipo de rendimento", elencou a vereadora.

O fundo de emergência de 200 milhões de euros, que acompanhará o gabinete de crise, visa apoiar o setor económico e o setor social, podendo "dar apoios a fundo perdido para garantir algum rendimento às pessoas que estão em situações de perda quase total de rendimento" e funcionar também "como um mecanismo de garantia para empréstimos" para que as micro, pequenas e médias empresas possam sobreviver.

"Este fundo de emergência tem como objetivo claro dar um apoio forte à tesouraria destas pequenas empresas e também daqueles pequenos profissionais que têm o seu próprio posto de trabalho", reforçou.

De acordo com Assunção Cristas, os eleitos do CDS vão também propor a "isenção de todas as taxas municipais por um semestre" e a devolução máxima do IRS às famílias (5% em vez dos atuais 2,5%), justificando que "olhando para as contas da câmara" há margem para isso.

Ao nível do combate ao vírus, os centristas sugerem a criação de uma plataforma e de um diálogo com os setores da hotelaria e do alojamento local para garantir "desde já alojamentos para os profissionais de saúde que estão na linha da frente e que são eles próprios um fator de risco de contágio".

Apesar de já existir em Lisboa "boa vontade e disponibilidade individual por parte de várias empresas", era "bom que a própria câmara pudesse ajudar e agregar essa informação", considerou a autarca.

Além disso, "deve ser já planeada a hipótese" de "converter porventura, de forma temporária, algumas unidades hoteleiras em hospitais, no caso de haver uma situação mais grave".

Quanto à prevenção, Assunção Cristas sublinhou que a câmara deve intensificar a limpeza das ruas, como também disponibilizar dispensadores de gel "em tudo o que sejam zonas de saída das estações de metropolitano e também nas paragens da Carris", para que as pessoas possam fazer a higienização das mãos.

A reunião não contará com propostas escritas, pelo que os diversos partidos deverão apresentar as suas ideias oralmente, referiu ainda Assunção Cristas.

Em Portugal, há 30 mortes, mais sete do que na véspera, e 2.362 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista mais 302 casos do que na segunda-feira.

Dos infetados, 203 estão internados, 48 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 22 doentes que já recuperaram.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

Tópicos
pub