Estado da Nação. Pandemia afetou aproveitamento escolar

por Inês Moreira Santos - RTP
Eddie Keogh - Reuters

Com o encerramento das escolas, a adaptação às aulas em casa e as notáveis desigualdades sociais, é percetível que a pandemia afetou a Educação em Portugal. São muitos os pais que "consideram que o rendimento escolar dos seus filhos piorou durante o período sem aulas presenciais", revela um relatório da Universidade Católica Portuguesa. As previsões apontam ainda para uma "evolução da educação" pouco positiva, nos próximos dois anos.

Quando atingiu Portugal, a pandemia da Covid-19 não trouxe apenas uma crise de saúde pública nem afetou apenas o setor da saúde. O confinamento decretado ainda em março, o encerramento das escolas e de várias atividades económicas e sociais agravaram alguns dos problemas já existentes na Educação e potenciaram mais as desigualdades entre os alunos.

A conclusão é da Sondagem Social e Política, realizada pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP e para o jornal Público, com base em inquéritos a "eleitores residentes em Portugal".
Sandra Machado Soares, Rodrigo Lobo, Marcelo Sá Carvalho - RTP

Comparando com o ano letivo anterior, 41 por cento dos pais inquiridos, selecionados aleatoriamente, consideram que "o rendimento escolar dos seus filhos piorou durante o período sem aulas presenciais". Cerca de 32 por cento afirma que o rendimento escolar dos filhos não foi afetado pelas aulas e apenas 17 por cento acha que até pode ter melhorado.

É de realçar, no entanto, que a maioria dos pais que afirma que as aulas à distância pioraram o aproveitamento escolar dos alunos são "menos escolarizados", o que pode ser considerado um indicador "do aumento das desigualdades".

No que se refere ao apoio parental nas atividades escolares, 50 por cento dos inquiridos revela que apoiou "mais ou muito mais os seus filhos durante o período de aulas à distância". Também nesta questão é referido que os pais mais escolarizados acompanharam e apoiaram mais os filhos, durante o período de aulas em casa, do que os com menos escolaridade.
Maioria dos pais "colocaria os filhos" na escola em setembro

Questionados sobre a retoma das aulas presenciais ou a manutenção das aulas à distância, quase metade dos pais com filhos em idade escolar (48 por cento) concorda com "um sistema misto na reabertura do ano escolar", ou seja, com "uma solução que permita aulas presenciais e aulas à distância". Contudo, só 40 por cento do total dos inquiridos (pais com filhos em idade escolar e restantes inquiridos) considera que o ensino "misto" é a solução para o próximo ano letivo, caso se mantenha uma situação epidemiológica semelhante.

O relatório esclarece que "defesa desta solução não é transversal à sociedade", mas "particularmente defendida pelas pessoas mais escolarizadas".

Aliás, a maioria dos pais respondeu que "colocaria os filhos na escola", num cenário de propagação do vírus semelhante ao atual, se as escolas reabrissem já em setembro. Mas deste, apenas 27 por cento respondeu o fariam "de certeza, sendo esta percentagem ligeiramente mais baixa na região de Lisboa (22 por cento) do que no resto do país.

Quanto às expectativas da evolução da Educação em Portugal, o cenário não é tão promissor. Questionados sobre como imaginam o país daqui por dois anos, a maioria dos inquiridos pensa que vai estar igual ou pior.

"As expectativas sobre a evolução da educação não são positivas", lê-se no documento, que revela que 34 por cento do total dos inquiridos vêem "Portugal daqui por dois anos com pior educação".

Esta sondagem revela que a pandemia realçou mais as desigualdades sociais entre os alunos, nomeadamente no acesso aos meios para assistir às aulas e no apoio escolar.

Ficha técnica
Os 1217 participantes desta sondagem foram selecionados aleatoriamente, através de uma lista de números de telefone fixo e de telemóvel, 34 por cento da região Norte, 21 por cento do Centro, 31 por cento da Área Metropolitana de Lisboa, seis por cento do Alentejo, quatro por cento do Algarve, dois por cento da Madeira e dois por cento dos Açores. 

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo (50 por cento foram mulheres), escalões etários, grau de escolaridade e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE.

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