A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria cumpre nove anos com mudança para Serpins

por Lusa

O projeto cultural A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, a celebrar nove anos, prepara uma "mudança bastante radical" da sede para Serpins (Lousã), onde pretende criar um centro cultural, disse à Lusa Tiago Pereira.

"É uma mudança bastante radical e de certa forma política, largar Lisboa para o centro. Serpins faz sentido, é um sítio pequeno, central e bonito. O centro tem essa grande questão de ter práticas musicais bastante vivas e permanecem com mudanças", explicou o fundador do projeto.

A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPGDP) foi criada em 16 de janeiro de 2011, e o que começou por ser um canal digital de música com partilha de gravações de artistas portugueses, profissionais e amadores, tornou-se numa plataforma nacional de divulgação de práticas culturais assentes na música e na transmissão oral.

O nono ano de existência do projeto deverá ficar marcado em 2020 por várias iniciativas, entre as quais um piquenique musical, a 21 de março, na Praia Fluvial da Senhora da Graça, em Serpins, para assinalar a mudança da sede.

À semelhança do que já existe em Beja, dedicado ao cante alentejano e à viola campaniça, está prevista também a abertura, em data a confirmar, de um Centro Interpretativo da MPGDP em Palmela (Setúbal), numa sala numa escola primária, e possivelmente dedicada à "diversidade musical" de Palmela e aos círios - tradição religiosa - locais.

A propósito ainda da transferência para o centro do país, Tiago Pereira explicou que está a ser preparado um encontro a 30 e 31 de maio, na Marinha Grande, em parceria com o projeto Tocándar, descrito como "um quase congresso sobre a música afetiva de interesse das pessoas".

Neste trabalho de registo de práticas musicais pelo país através da MPGDP, Tiago Pereira diz que já não aceita ficar preso a conceitos descritivos sobre património, tradição, oralidade.

"Interessa-nos poder continuar a mostrar isso tudo, mas não podemos dar um nome. Temos de aceitar que não vamos encaixar. O MPGDP só existe porque há pessoas que gostam do que fazem e que nos fazem gravá-las. Achamos que era importante fazer um quase-congresso desta música afetiva a qualquer pessoa, com um sentimento de interesse", elaborou.

Nestes nove anos de existência, Tiago Pereira foi desenvolvento o projeto MPGDP para a área da dança, da gastronomia, da música ibérica e da música cigana.

Na quinta-feira, o aniversário da MPGDP será assinalado ainda com a divulgação de uma `playlist` na plataforma Bandcamp de 12 temas de música cigana, ao abrigo do projeto A Música Cigana a Gostar Dela Própria, apoiado pelo Alto Comissariado para as Migrações.

 

 

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