António Reis. PR recorda ator como "um dinamizador do teatro em Portugal"

por Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou hoje o ator António Reis como "um dinamizador do teatro em Portugal" e uma "figura" da cidade do Porto, apresentando as condolências à família do artista, que morreu na terça-feira.

"Enérgico, carismático e generoso, era uma figura da sua cidade e um dinamizador do teatro em Portugal", salientou o chefe de Estado num comunicado publicado no `site` na Internet da Presidência.

Lembrando António Reis com um dos fundadores da Seiva Trupe em 1973, depois ter integrado o Teatro Experimental do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o ator "esteve ligado (...) a duas das mais marcantes companhias de teatro da cidade [do Porto] e do país".

"Com a Seiva Trupe, apresentou espetáculos a partir de textos de Shakespeare ou de Copi, bem como o inesperado sucesso «Um Cálice de Porto», além de ter sido diretor da Academia Contemporânea do Espectáculo e um dos fundadores do FITEI -- Festival de Teatro de Expressão Ibérica, momento alto da programação cultural portuense. Trabalhou também em televisão e foi ator em vários filmes de Manoel de Oliveira", sublinhou.

O ator António Reis, cofundador da Seiva Trupe e do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), morreu terça-feira, aos 77 anos, no Porto, em consequência de doença prolongada, disse à agência Lusa fonte da companhia teatral.

"Ao seu nome ficam ligadas memórias e as raízes do teatro no Porto", sublinhou a Companhia Seiva Trupe, lamentando que perde "um dos seus alicerces em que se fundou e cresceu nestes mais de 48 anos".

António Reis iniciou atividade nos anos de 1960 no Grupo dos Modestos, num espetáculo de Joseph Kesserling, e ingressou depois no Teatro Experimental do Porto, em 1970, onde fez a estreia profissional e trabalhou durante dois anos.

Em 1973, juntamente com Júlio Cardoso e Estrela Novais -- também vindos do Teatro Experimental do Porto -, António Reis cofundou a Seiva Trupe, onde foi ator, mas também encenador, cenógrafo, diretor de produção e diretor de cena, refere o Centro de Estudos de Teatro, da Universidade de Lisboa, na sua base de dados.

"Foram dezenas os êxitos, quer no palco, quer como corresponsável da emblemática estrutura teatral do Porto, sendo difícil distinguir, pelas suas qualidade e personalidade inconfundíveis, a escolha entre o famoso `Um Cálice de Porto` ou, antes, em `Perdidos numa Noite Suja` de Plínio Marcos, ou, depois em `Macbeth` de Shakespeare ou `Uma Visita Inoportuna" de Copi`, escreveu o Seiva Trupe em nota de pesar.

A par do teatro, António Reis também fez cinema e televisão, tendo trabalhado, sobretudo, com Manoel de Oliveira, em filmes como "Vale Abraão" (1992) e "Singularidades de uma rapariga loira" (2008).

António Reis foi igualmente um dos fundadores do FITEI -- Festival de Teatro de Expressão Ibérica e, ao longo da carreira, recebeu alguns prémios pelo labor no teatro português, nomeadamente a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal do Porto (1988), a comenda da Ordem do Infante (1995) e o prémio Lorca, pela Universidade de Granada em Espanha (1995).

 

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