Artista português Add Fuel inaugura mural em Los Angeles

| Cultura

O mural pintado pelo artista português Diogo Machado, conhecido como Add Fuel, é inaugurado hoje na escola secundária Dr.ª Maya Angelou, em Los Angeles, integrado num festival que juntou 30 artistas locais e internacionais.

A ideia por detrás do festival de murais, organizado pela Branded Arts, foi renovar as paredes de várias escolas do distrito escolar de Los Angeles, mostrando mensagens de positividade e união.

Foi isso que Diogo Machado incorporou no maior trabalho permanente que já fez nos Estados Unidos. "Queria trazer aqui uma mensagem de unificação", disse à Lusa o artista português, cujo trabalho se caracteriza pela reinterpretação da azulejaria e do padrão português.

Considerando que "não fazia sentido" usar o azulejo português, que não tem referências nos Estados Unidos, Diogo Machado partiu da ideia de reinterpretação, para incluir elementos de várias culturas sem descaracterizar o seu trabalho.

"Em vez de trabalhar a parte do azulejo português, consigo trabalhar elementos visuais que existam noutras culturas em termos de padronização e que façam sentido para o local", explicou o artista conhecido como Add Fuel.

O mural, que é inaugurado hoje numa receção na escola Dr.ª Maya Angelou, tem padrões inspirados na cultura africana, na arte dos nativos-americanos e num tipo de azulejos mexicanos que são semelhantes aos portugueses, mas têm mais cores e floreados.

No meio do mural, em texto, as frases "Somos Uno" e "We Are One", entrelaçadas, aglutinando a ideia de união de culturas que está implícita na mistura de padrões.

É uma mensagem que Diogo Machado considerou apropriada para a identidade da escola Dr.ª Maya Angelou, "uma ativista que promoveu a igualdade, os direitos humanos e esta interação entre culturas", afirmou.

A execução dos murais decorreu durante o período normal de aulas e, durante os intervalos, foi possível perceber que os alunos se juntam em grupos conforme as etnias.

"São miúdos, ainda têm muito para encher a cabeça com coisas boas, e acho que podiam pensar neste sentimento de serem mais unidos", considerou Diogo Machado, refletindo no impacto potencial do mural. "O sentido de comunidade é importante, mas pode ser mais abrangente, eles podem integrar-se mais e não se fecharem tanto".

O mural levou sete dias a estar concluído, com jornadas de trabalho de cerca de 12 horas, a partir das nove da manhã. Diogo Machado usou dois processos, a pintura à mão livre e a utilização de `stencil`, pintura a molde ou máscaras que são muito habituais no trabalho do artista.

No festival participou também um dos maiores nomes da arte de rua à escala global, Shepard Fairey, bem como o brasileiro Francisco Silva ("Nunca") e o espanhol Alejandro Mevs ("Axel Void"), com uma programação de eventos que incluiu o grupo de hip hop Run-DMC e uma apresentação da NASA.

Depois de Los Angeles, Add Fuel já tem presença marcada a 07 e 08 de junho no festival Iminente, que Alexandre Farto (Vhils) leva para o Rio de Janeiro, e a seguir embarca para a pequena povoação italiana de Civitacampomarano, onde participará no CVTà Street Art, de 13 a 16 de junho.

"Prefiro sempre que o meu trabalho esteja na rua e seja visto por toda a gente, e grátis", disse o artista. "É uma grande parte do que eu faço".

A participação no festival de murais em Los Angeles aconteceu após várias outros trabalhos nos Estados Unidos, incluindo dois murais em Denver, um em Sacramento e três em Miami.

"A arte de rua tem uma vertente interessante, é o primeiro movimento de arte que é mundial", considerou Diogo Machado.

"Um artista faz um mural em Espanha e meia hora depois pode estar a ser visto por alguém na China". Este globalismo ajuda à mobilidade dos artistas e à criação de uma rede virtual, sem fronteiras. "Há sempre um amigo de um amigo que conhece alguém", acrescentou. "Eu não me queixo".

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