"As Criadas", de Genet, "um texto inesgotável sobre a condição humanana" em Guimarães

| Cultura

Beatriz Batarda, Sara Carinhas e Luísa Cruz protagonizam "As criadas", de Jean Genet, texto que o encenador Marco Martins considera "inesgotável sobre a condição humana", e que, a 29 de abril, chega à Plataforma das Artes, em Guimarães.

"Um texto inesgotável sobre a condição humana e sobre a relação com o poder e a forma como a nossa identidade é criada pelo outro", disse à agência Lusa o encenador Marco Martins, quando da estreia da peça no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em novembro passado.

Esta é a primeira vez que Marco Martins encena um texto "só trabalhado por personagens femininas".

"Nesta encenação são as próprias atrizes que criam o seu espaço cénico", adiantou à Lusa Marco Martins, acrescentando: "O texto também nos fala disso mesmo, duas irmãs que todas as noites encenam a tentativa de matar a senhora, além do facto de as atrizes, elas próprias, terem também um percurso [paralelo ao da representação] como encenadoras".

"Este é um texto de atores, ou seja, é uma descoberta do próprio ator que conduz à descoberta da própria personagem", referiu.

Do ponto de vista cénico, "é um espaço muito claustrofóbico, criando um palco que é uma espécie de ringue, com quatro frentes em que o público está lado a lado com as atrizes", disse o encenador.

Marco Martins disse que "esta encenação pedia uma tradução [para português] bastante contemporânea na forma de articulação da linguagem, principalmente neste contraste permanente que existe entre uma linguagem mais poética e uma menos poética".

Daí ter pedido a Matilde Campilho, "que nunca fez uma tradução para teatro, uma nova tradução do texto de Genet, que, em certos aspetos, é surpreendente pela sua oralidade, pela violência, e que torna certos termos mais aristocráticos da linguagem daqueles criadas em termos mais mundanos".

A peça baseia-se num caso real, das irmãs Lapin, que assassinaram a sua patroa e a filha, em Le Mans, França.

O caso que fez correr muita tinta na década de 1930, sobre a qual escreveram vários intelectuais, entre os quais Jean-Paul Sartre, tendo Jean Genet (1910-1986) escrito a peça por encomenda, por quando esteve preso.

Marco Martins referiu-se ao texto do autor francês como "um clássico", "sempre tentador de novas leituras".

"Sendo um texto muito complexo, na sua forma e quer pela sua própria natureza e pela sua poética, torna-o inesgotável e muito apelativo, e daí o ter querido fazer", disse.

"As Criadas", de Genet, tem cenografia de F. Ribeiro, os figurinos são de Adriana Molder e o desenho de luz, de Nuno Meira.

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