Classificação da UNESCO para "Bonecos de Estremoz" é "muito relevante"

| Cultura

A diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, considerou hoje "muito relevante" e "motivo de grande orgulho" a classificação pela UNESCO da produção dos Bonecos de Estremoz (Évora) como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

"É um motivo de grande orgulho para nós. Desde logo para Estremoz, para a cidade, para a população e para os artistas e artesãos" locais, mas também "para o Alentejo e para Portugal", congratulou-se, em declarações à agência Lusa.

A classificação da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como "Bonecos de Estremoz", foi decidida hoje pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A decisão relativa à candidatura portuguesa, apresentada pela Câmara de Estremoz, foi tomada na 12.ª reunião do Comité Intergovernamental da UNESCO para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que está a decorrer, até sábado, na Ilha Jeju, na Coreia do Sul.

Os "Bonecos de Estremoz" tornaram-se, assim, o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Segundo Ana Paula Amendoeira, a inscrição deste figurado de barro na lista representativa do Património Cultural Imaterial da UNESCO "é muito relevante", porque, "dentro do conjunto de práticas culturais que Portugal tem inscritas", esta candidatura "é especial e única".

Em 2016, lembrou a diretora regional de Cultura, a UNESCO inscreveu a olaria negra de Bisalhães (Vila Real), mas o figurado de Estremoz "tem características excecionais, quer do ponto de vista da temporalidade", porque é "uma prática cultural que se exerce há praticamente quatro séculos, desde o século XVII", quer "pela própria natureza da produção dos Bonecos`, daquilo que representam".

"É uma forma de apropriação do mundo por parte das práticas culturais populares, porque os `Bonecos` são simbólicos e representam figuras, ideias e valores associados à visão popular do mundo, das comunidades tradicionais e rurais. E isso também é muito relevante", salientou.

Para Ana Paula Amendoeira, é também "muito importante" o reconhecimento internacional desta produção do figurado de barro da cidade alentejana, pois, apesar de não estar em risco, é preciso protegê-la e assegurar a sua salvaguarda.

"É uma comunidade de artesãos relativamente restrita e concentrada na cidade de Estremoz e, embora não esteja em risco, precisa de salvaguarda e de apoio, portanto, também para proteção desta prática cultural e patrimonial é muito relevante esta inscrição", sublinhou.

A diretora regional de Cultura do Alentejo elogiou ainda o "caráter exemplar" da candidatura apresentada pela Câmara de Estremoz, que desenvolveu todo o processo com uma equipa do próprio município, e cumprindo "escrupulosamente" tudo o que é exigido pela lei portuguesa e pelas regras da UNESCO.

"Foi feita com a `prata da casa`, com uma equipa interna ligada ao Museu Municipal, e não representou custos para o município, no sentido em que não foi adjudicada a entidades externas a elaboração da candidatura. Foi feita com conhecimento endógeno do município, com muita investigação e sempre com o apoio da Direção Regional de Cultura", assinalou.

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Bonecos, Comité Intergovernamental UNESCO, Câa, Estremoz, Figurado Barro, Imaterial, Jeju, XVII,

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