Dia de luto nacional. Agustina continua a ser recordada

por RTP
O cortejo fúnebre da autora sai esta terça-feira da Sé Catedral do Porto para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real João Abreu Miranda - Lusa

O Governo decretou para esta terça-feira, por indicação de António Costa, um dia de luto nacional pela morte da escritora Agustina Bessa-Luís, que morreu na segunda-feira, aos 96 anos, vítima de doença prolongada. A autora, cujas exéquias decorrem esta manhã na Sé Catedral do Porto, continua a ser recordada por todos os que a admiravam.

“Agustina Bessa-Luís deixa uma marca de um universo muito dela”, acredita o antigo jornalista da RTP e crítico literário Rui Lagartinho, que considera que a escritora se recriava a cada livro que escrevia.

“É uma pessoa que nós nos habituámos a ver no espaço público e a reconhecer como uma obra que foi única, que é um corpo muito diferente de tudo o que existe na literatura portuguesa”.

“É como se [Agustina] tivesse pressa em ter uma certa liberdade”, afirma Lagartinho. “Era como se tivesse pressa de casar, ter filhos e ter a sua liberdade, porque a partir daí a Agustina nunca teve outra profissão”.

A escritora nasceu a 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante, e encontrava-se afastada da vida pública, por razões de saúde, há perto de duas décadas.

O nome de Agustina Bessa-Luís saltou para a ribalta literária em 1954, com a publicação do romance “A Sibila”, que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz.

"Com uma obra vasta e transversal, Agustina Bessa-Luís marcou decisivamente a literatura portuguesa da segunda metade do século XX, sendo o seu legado sinónimo de um percurso pessoal e autoral único, que continuará, certamente, a enriquecer gerações de leitores e a influenciar o percurso de jovens autores", lê-se num comunicado do Conselho de Ministros, que aprovou ontem o dia de luto nacional.

Na nota, o Governo refere ainda que "a República Portuguesa e, muito em especial, toda a literatura que se expressa em português é-lhe, pois, devedora de uma longa e incondicional dedicação à criação literária e do seu exemplar contributo para o prestígio cultural de Portugal".

Durão Barroso também reagiu à morte da escritora, considerando-a “um dos nomes mais importantes de sempre na literatura portuguesa e certamente uma das pessoas mais inteligentes” que conheceu.


Já para o poeta e ensaísta Arnaldo Saraiva, Agustina ocupa “o espaço da maior escritora que Portugal já teve”.

“Tivemos algumas escritoras importantes no século XX, de Florbela Espanca a Sophia de Mello Breyner Andresen e Maria Velho da Costa, mas de longe a maior figura feminina da literatura portuguesa será sempre Agustina”, explicou.

Uma mulher "muito irreverente" e, ao mesmo tempo, "extremamente séria e intensa", tem na sua carreira "páginas incríveis, de escrita exaltante, envolvente, profunda e densa", recorda o ensaísta.

O presidente do PSD, Rui Rio, prestou ontem tributo "à memória e à obra" de Agustina Bessa-Luís, considerando a escritora como "vulto maior da literatura portuguesa".


Na mensagem deixada no Twitter, o presidente do PSD recorda ainda que teve "a oportunidade de lhe prestar um justo tributo em vida", e fá-lo agora "à sua memória e à obra" que deixa "para todo o sempre".

Em 15 de outubro de 2004, por ocasião do cinquentenário da publicação de "A Sibila", Rui Rio, então presidente da Câmara Municipal do Porto, entregou a Agustina Bessa-Luís as chaves da cidade.

O funeral da autora sai esta terça-feira da Sé Catedral do Porto para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real, onde se realizará uma cerimónia privada para que Agustina seja sepultada “na intimidade da família”.

c/ Lusa
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