Digressão pelos EUA excedeu todas as expectativas de Marta Pereira da Costa

| Cultura

Na reta final de uma digressão pelos Estados Unidos em que, pela primeira vez, a guitarra portuguesa é a solista principal, Marta Pereira da Costa diz à Lusa que a viagem "excedeu todas as expectativas".

Em entrevista à agência Lusa, num dos últimos dias da digressão intitulada "A Portuguese Guitar" ("Uma Guitarra Portuguesa"), Marta Pereira da Costa partilha que está "felicíssima" com os resultados desta `tour`, que começou no dia 07 de março, e que já esgotou várias salas, incluindo o Átrio David Rubenstein do Lincoln Center, em Nova Iorque, na quinta-feira.

Marta Pereira da Costa volta a tocar esta noite em Nova Iorque, no espaço DROM, depois de um concerto numa sala do Lincoln Center que ficou esgotada e que deixou pessoas na fila, não autorizadas a entrar, porque o espaço tinha atingido a capacidade máxima desde o início.

A digressão está a ser um desafio para a banda, já que é a primeira vez que Marta Pereira da Costa apresenta a guitarra portuguesa a solo em várias cidades norte-americanas e vários ambientes onde a música portuguesa é desconhecida.

O público português a viver nos Estados Unidos é o público principal do primeiro e do último concerto, no sábado, em Fall River, Massachusetts, enquanto, pelo meio, a digressão é dedicada aos norte-americanos, que não conhecem a guitarra portuguesa.

Marta Pereira da Costa e a sua banda, constituída por outros quatro músicos, fazem ensaios abertos ao público para que os americanos vejam e tenham curiosidade de perguntar e aprender que instrumento é aquele.

"Eu lá explico que é uma guitarra portuguesa, o nosso instrumento tradicional de Portugal, com forma de lágrima, que tem uma afinação especial, toca-se com estas duas unhas [postiças], feitas de propósito para os nossos dedos, feitas por medida", sorri a compositora.

"Depois eles ouvem o som da guitarra e acho que ficam malucos como nós", diz à Lusa, com um riso.

O primeiro concerto, a 07 de março, foi no centenário da Igreja Nacional das Cinco Chagas (Five Wounds Portuguese National Church), uma igreja portuguesa em San Jose na Califórnia, no oeste dos Estados Unidos, seguido de performances nos dias 08 e 09 em Washington D.C., na costa leste.

Para cumprirem as datas, os músicos atravessaram o continente americano "de costa a costa", durante uma noite, o que significam cerca de 4.500 quilómetros de distância e sete horas de diferença nos fusos horários das duas cidades.

"Os músicos ainda estavam de `jet-lag`, tinham acabado de chegar", conta a guitarrista, que veio aos EUA uma semana antes dos companheiros, por isso a viagem profissional está a ser "uma experiência muito cansativa, mas muito enriquecedora".

Nesta digressão, "a ideia é levar as pessoas numa viagem", por vários estilos, desde o mais tradicional, ao jazz, a `world music`, à música brasileira, como o chorinho.

"Eu tento com que a guitarra portuguesa faça essa viagem e que seja o elemento de ligação dessas sonoridades todas", explica Marta Pereira da Costa, sendo que o quinteto toca sem canto, mas a voz solista é da guitarra portuguesa.

Na capital dos EUA, a banda tocou na Residência da Embaixada Portuguesa e, no dia 09 de março, no Kennedy Center, um centro de espetáculos emblemático e dos mais importantes dos EUA, cujo corredor, onde o palco estava colocado, estava cheio.

"Foi incrível. Nunca imaginei ver aquela sala cheia até ao fundo. Aquele corredor todo, cheio de candeeiros, com pessoas que não arredaram pé, ficaram do princípio ao fim", conta.

Na terça e na quarta-feira, os músicos portugueses participaram no festival de rua South by Southwest (SXSW), em Austin, Estado do Texas, onde atuaram num bar de música ao vivo e num hotel de charme.

O concerto no hotel The Driskill, um estabelecimento hoteleiro emblemático no Texas, "estava cheio, estava `à pinha`, correu muito, muito, muito bem", recorda a guitarrista e acrescenta: "Tive contactos ótimos de pessoas que foram ver o concerto e depois vieram falar comigo, jornalistas, críticos, da rádio, na npr", a Rádio Nacional Pública dos EUA.

A digressão termina na noite de sábado, em Fall River, Massachusetts, onde existe uma grande comunidade de portugueses e terá a participação da cantora Catarina Avelar.

O ano de 2018 foi "muito positivo" na carreira de Marta Pereira da Costa e "este ano vai ser mais positivo ainda", com uma agenda cheia de viagens e com vista à gravação de temas para um novo disco até final do ano.

Já em 2020, a banda prevê começar com a produção do disco, para ir de novo em `tournée`.

"Quero fazer carreira até ao fim da minha vida e isso assusta-me", diz Marta Pereira da Costa, que quer ser "de dia para dia, melhor guitarrista" e acrescenta que, para isso, vai precisar de acumular mais conhecimentos e de melhorar a técnica, como também perceber como é que a guitarra portuguesa pode ser incluída noutros géneros musicais.

Marta Pereira da Costa tem uma licenciatura em engenharia civil e exerceu a profissão durante oito anos, atividade que deixou porque o desejo de ser música acompanhou-a pela vida toda.

"Não podia ser mais feliz, fazendo aquilo que gosto, viajando -- que adoro -, tendo miminhos das pessoas que gostam de nos ouvir e que nos dão força e nos apoiam", confessa.

E tem a certeza de que está agora "na melhor profissão do mundo" e sente-se orgulhosa por levar a guitarra portuguesa além-fronteiras, que "acaba por ser uma bandeira de Portugal", conclui Marta Pereira da Costa.

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