Dramaturgo Alfredo Cortez evocado em colóquio do Museu do Teatro e da Dança

| Cultura

O Museu do Teatro e da Dança, em Lisboa, é o palco onde, no dia 22, se realiza um colóquio sobre o dramaturgo Alfredo Cortez quando se celebram os 70 anos da sua morte, informou hoje o museu.

Conhecido sobretudo como autor de peças de teatro, como "Zilda", protagonizada nos anos 1920 pela então jovem atriz Amélia Rey Colaço, Alfredo Cortez foi um dos nomes de maior impacto no meio teatral português, na primeira metade do século XX.

Além de dramaturgo, Alfredo Cortez foi ainda um dos subscritores do "Manifesto pelo Teatro Português" e participou na fundação da que é hoje a Sociedade Portuguesa de Autores.

O cinema, com argumentos de sua autoria, e a ópera foram também áreas artísticas em que participou, nomeadamente com a adaptação da peça "Tá-mar", de 1936, para libreto de um drama de Ruy Coelho.

Para a Exposição do Mundo Português, em 1940, Alfredo Cortez projetou um espetáculo monumental do qual restam duas páginas datilografadas que integram o espólio que a família doou à Biblioteca Nacional de Portugal, e que constitui um fundo importante para o estudo sobre o autor e a sua época, como refere o Museu do Teatro e da Dança, no comunicado hoje divulgado.

Nascido em 1880, Alfredo Cortez licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, foi juiz de investigação criminal em Angola e dedicou-se à escrita já na maturidade.

Abordou temas de inspiração popular, como em "Tá-mar" e em "Saias", nos anos de 1930, mas tratou sobretudo da degradação moral das classes abastadas, de obras iniciais como "Zilda" a peças mais tardias como "Lá-Lás", de 1944, e "Bâton", de 1936, mas só apresentada postumamente, no ano da morte do dramaturgo, em 1946, devido à proibição da censura.

A filóloga italiana Luciana Picchio (1920-2008), especialista em cultura e língua portuguesas, destacou, como expoente da obra de Alfredo Cortez, a sátira "Gladiadores" (1934), pela sua ousadia, prenunciando um cruzamento possível das mais tendências dramáticas, "o expressionismo alemão, o surrealismo francês e o experimentalismo de Pirandello".

Organizado pelo Centro de Estudos de Teatro, pelo Museu Nacional do Teatro e da Dança e pela família de Alfredo Cortez, o colóquio conta com a participação de investigadores que se têm dedicado a diversas vertentes do trabalho de Alfredo Cortez e com o depoimento de encenadores que levaram ao palco algumas das suas obras.

O diretor do Museu do Teatro e da Dança, José Carlos Alvarez, abre o colóquio, seguindo-se uma intervenção de Catarina Pereira de Mello, familiar do dramaturgo, que falará sobre aspetos biográficos do autor e memórias de família.

Duarte Ivo Cruz, especialista da obra de Alfredo Cortez, falará depois sobre a recuperação e divulgação da obra dramática de Alfredo Cortez e sobre a obra do dramaturgo editada recentemente pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.

Depois, é a vez de José Camões, investigador do Centro de Estudos de Teatro (CET), falar sobre a peça "O oiro", e de Maria Helena Serôdio apresentar uma comunicação sobre as figuras femininas no teatro de Alfredo Cortez.

Sebastiana Fadda, também do CET, falará sobre a receção da obra teatral do dramaturgo, enquanto o investigador Edward Luiz Ayres d`Abreu falará sobre a ópera "T-a-Mar", de Ruy Coelho, e sobre a presença do dramaturgo no teatro lírico.

Uma mesa redonda com os encenadores Castro Guedes, diretor do Dogma 12 - Estúdio de Dramaturgias de Língua Portuguesa (a confirmar), e Graeme Pulleyn, do Teatro Regional da Serra de Montemuro, sobre a encenação da obra de Alfredo Cortez no século XXI, e um depoimento do historiador Vítor Pavão dos Santos, especialista em teatro, primeiro diretor do Museu do Teatro e da Dança, encerram a iniciativa.

 

 

Tópicos:

Dança, Dogma Estúdio, Lás, Moeda, Nascido, Serra,

A informação mais vista

+ Em Foco

Houve aldeias ceifadas e vidas destruídas. O medo viveu ao lado de histórias de heroísmo. Contamos as estórias que agora preenchem dezenas de aldeias esquecidas, muitas pintadas a cinza.

    O incêndio de Pedrógão Grande provocou a morte de 64 pessoas e deixou mais de 200 pessoas feridas. Revisitamos os últimos dias com fotografias e imagens aéreas captadas com recurso a um drone.

      É uma tragédia sem precedentes que vai marcar para sempre o país. O incêndio de Pedrógão Grande fez 64 mortos mais de duas centenas de feridos. Há dezenas de deslocados.

      Por que razão não voltou o Homem ao satélite natural da Terra desde a década de 70 do século XX? Uma das explicações pode estar na poeira que cobre a superfície da Lua.