Exposição em Paris de Rui Chafes e Giacometti é combate entre ambos, diz Filomena Molder

| Cultura

A filósofa portuguesa Maria Filomena Molder, presente em Paris, disse que a exposição "Gris, Vide, Cris", que junta obras de Rui Chafes e Alberto Giacometti, na capital francesa, representa um combate entre os dois artistas.

"Gris, Vide, Cris" "não é colectiva, não é um dueto, nem uma exposição temática", é sim um "combate" entre os dois artistas, disse Maria Filomena Molder, na terça-feira à noite, numa das sessões do programa paralelo que acompanha esta mostra da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde fica até meados de dezembro.

"O combate está em o Rui (Chafes) aproximar-se de alguém que ele admira muito, com o qual tem profundas afinidades, mas que não pertence à mesma família. Giacometti achava que a escultura era um meio e, no caso do Rui, essa distinção não aparece. As suas esculturas são enxames de sensações", disse a filósofa, em declarações à Lusa, no final da conferência "Un trou dans la neige", promovida na terça-feira, à volta da exposição "Gris, Vide, Cris".

Fazendo a oposição entre a filosofia e a arte, Maria Filomena Molder considerou que "o filósofo anda à volta do abismo e que o artista se atira do abismo", encontrando esta noção de abismo na forma como Rui Chafes construiu as suas obras em ferro à volta das delicadas peças de Giacometti.

"Rui Chafes descobriu uma nova forma de ver Giacometti, elas devem ser vistas de frente e não ao redor. É uma experiência de abismo", afirmou.

Mas a filósofa recusa a ideia de diálogo na exposição dos dois artigos. "Só se pode dialogar se os dois estivessem vivos" e se Giacometti tivesse discutido com Rui "que peças gostava de mostrar". "É uma exposição sobre o sentimento de veneração de Rui Chafes pela obra de Giacometti", indicou a filósofa ressaltando que o facto de o artista português fazer uma exposição "com um dos maiores artistas do século XX" marca uma nova fase para Chafes.

"Quem não venera e não sente que há uma coisa maior quando se cruza com uma montanha, a forma como Rui vê Giacometti, pode ser destruído pela grandiosidade. Quem sente a veneração pode ser elevado e estabelece uma certa igualdade com o seu objeto de veneração", argumentou Molder.

A filósofa deu como exemplo as peças "Lumiére", onde um túnel de ferro tortuoso leva a uma escultura de quatro centímetros de Giacometti, e "La nuit", onde o artista português prolongou uma das versões de "O Nariz" de Giacometti, através de uma máscara de ferro pontiaguda.

Inaugurada a 06 de outubro, a exposição "Gris, Vide, Cris" está patente na Delegação em Paris da Fundação Calouste Gulbenkian até dia 16 de dezembro.

Tópicos:

Calouste Gulbenkian, Chafes, Delegação, Giacometti, Inaugurada, Nariz,

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