Fernando Paulouro considera "honra inultrapassável" receber Prémio Eduardo Lourenço

| Cultura

Fernando Paulouro Neves, que foi hoje anunciado como o vencedor da 13.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, considera uma "honra inultrapassável" receber um galardão com o nome deste ensaísta português.

"Confesso que é um galardão que me deixa muito honrado, porque se há um prémio que pode honrar alguém ligado à cultura portuguesa, esse prémio é aquele que tem nome do professor Eduardo Lourenço. Em suma, ter um prémio com o nome de Eduardo Lourenço é uma honra inultrapassável", afirmou o escritor e jornalista, em declarações à agência Lusa.

Instituído em 2004 pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), com sede na cidade da Guarda, o prémio Eduardo Lourenço destina-se a galardoar personalidades ou instituições com "intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas".

O CEI anunciou hoje, em comunicado, que a atribuição do Prémio Eduardo Lourenço a Fernando Paulouro Neves "teve a unanimidade de todos" os elementos do júri.

"O júri reconheceu a projeção cultural e ibérica do jornalista, escritor e cronista, e a sua notória vocação cultural e cívica, desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, no Jornal do Fundão, órgão de referência na história na imprensa nacional, onde foi jornalista, Chefe de Redação e Diretor", acrescenta.

Esta foi uma notícia que Fernando Paulouro recebeu com "felicidade e satisfação", acima de tudo pelo facto de a distinção estar relacionada com o reconhecimento da sua ação em defesa de princípios que considera "primordiais", tais como a luta pela liberdade, pela salvaguarda da dimensão humana e também pelo sentido de defesa e resistência em relação à região da Beira Interior.

"É uma distinção que traduz o reconhecimento de alguém que no plano cívico, cultural e profissional procurou sempre, à sua escala, mudar as coisas ou, pelo menos, carrear pedras para a construção de um mundo que tenha de novo o homem como o centro de todas as coisas", acrescentou.

Fernando Paulouro considerou ainda que este prémio também é a prova de que mesmo ficando no Interior, também pode lutar e pensar a região num plano mais vasto: "Não só o do país, como o da ibéria ou como da realidade planetária que é a Língua Portuguesa".

"Mostra que, pensando a região, é possível fazer alguma coisa face aos poderes centrais que a subalterniza", acrescentou.

Este ano, o júri do Prémio Eduardo Lourenço foi constituído, entre outros, além dos membros da direção do CEI, por quatro personalidades convidadas: Adriana Calcanhotto (cantora) e Walter Rossa (professor catedrático), indicados pela Universidade de Coimbra, e por Pedro Serra e José Luis Fuentecilla Lastra, indicados pela Universidade de Salamanca.

O galardão já distinguiu várias personalidades de relevo de Portugal e de Espanha.

Nas edições anteriores receberam este prémio a professora catedrática Maria Helena da Rocha Pereira, que morreu no passado dia 10, o jornalista Agustín Remesal, a pianista Maria João Pires, o poeta Ángel Campos Pámpano, o professor catedrático de direito penal Jorge Figueiredo Dias, os escritores César António Molina, Mia Couto, Agustina Bessa-Luís e Luís Sepúlveda, o teólogo José María Martín Patino e os professores e investigadores Jerónimo Pizarro e Antonio Sáez Delgado.

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Beira, César, Figueiredo, Paulouro, Pizarro, Redação, Rocha,

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