Leitura simultânea de conto no Nodeirinho e em região italiana

| Cultura

A aldeia de Nodeirinho, em Pedrógão Grande, e a região italiana de Vale de Susa, também fustigada pelos fogos em 2017, recebem no domingo uma leitura simultânea do conto "O Homem que plantava árvores", de Jean Giono.

O evento, promovido em Portugal pela associação Apuro e em Itália pela Assemblea Teatro, evoca a tragédia dos incêndios de 2017, no dia em que se assinala um ano do grande fogo de Pedrógão Grande, numa iniciativa que tem como título "Palavras contra as chamas".

No domingo, atores e habitantes da aldeia vão fazer uma leitura conjunta do conto de Jean Giono, às 15h30, sendo que o mesmo se sucede em vários locais do Vale de Susa, região no norte de Itália, fortemente afetada pelo incêndios em Outubro de 2017, disse à agência Lusa o diretor artístico da associação, Rui Spranger.

Já no sábado, vai decorrer outra leitura simultânea, também às 15h30, desta feita em sete livrarias do Porto, local onde está sediada a Apuro, e em diferentes espaços da cidade italiana de Turim.

No Porto, o conto vai ser lido por atores nas livrarias Lello, Poetria, Papa-Livros, na Fnac de Santa Catarina, na Confraria Vermelha, na Bertrand do Shopping Cidade do Porto e na Flâneur.

Segundo Rui Spranger, a leitura simultânea "é um gesto simbólico" e uma oportunidade também de se lançar o alerta sobre a importância da floresta, das árvores e da biodiversidade, bem como da relação do Homem com a natureza.

O conto "O Homem que plantava árvores", do escritor francês Jean Giono, foi "inspirado em acontecimentos verídicos", em torno da história de um homem que, sozinho e apenas com as suas mãos, criou uma floresta, ao longo de vários anos, disse.

"É um livro admirável que nos mostra como um homem humilde e insignificante aos olhos da sociedade, a viver longe do mundo e usando apenas os seus próprios meios, consegue reflorestar sozinho uma das regiões mais inóspitas e áridas de França", sublinha a associação Apuro.

Para Rui Spranger, é importante pensar-se numa "floresta diferente" e numa forma diferente de as pessoas se relacionarem com a natureza.

Para além desta iniciativa, a Apuro pretende também avançar com um evento semelhante, em outubro, em concelhos afetados pelos incêndios que se fizeram sentir em 2017, durante aquele mês.

"A arte pode servir para dar visibilidade ou angariar fundos, mas acho que há aqui também um marcar de uma posição", frisou Rui Spranger.

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