Livro "Queda de Salazar" propõe novas investigações sobre ditador português

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O livro "A Queda de Salazar -- O Princípio do Fim da Ditadura" revela aspetos novos sobre a fase final do salazarismo e põe em causa muitas versões publicadas, disse à Lusa José Pedro Castanheira, um dos autores da investigação.

"Eu penso que [o livro] põe em causa algumas versões sobre Salazar (1889-1970). Há muitas coisas de Franco Nogueira que são postas em causa, em particular as informações que ele foi dando sobre Marcelo Caetano. Algumas versões de Adriano Moreira, nos seus livros de memórias também são postas em causa", disse à agência Lusa o jornalista José Pedro Castanheira.

O livro "A Queda de Salazar -- O Princípio do Fim da Ditadura" dos jornalistas José Pedro Castanheira, António Caeiro e Natal Vaz teve como ideia inicial fazer a sistematização do que já tinha sido publicado nos jornais ou editado por historiadores e investigadores, mas acabou por ter um caráter mais amplo em virtude dos factos apurados através da consulta de documentos e entrevistas.

Segundo José Pedro Castanheira, o livro incluiu, entre outras, informações novas sobre os últimos dois meses da governação de Salazar em virtude da consulta das transcrições dos diários do ditador que estão a ser feitas por Madalena Garcia e "que são uma fonte riquíssima".

Muita da informação diz respeito aos últimos dois meses em que Salazar se instalou no forte do Estoril, do dia 26 de junho até à altura da queda no dia 03 de agosto de 1968 e que estão minuciosamente detalhados.

"Há informações riquíssimas, por exemplo, sobre a forma como Salazar acompanhou de uma forma muito preocupada o `Maio de 68` em França. Por exemplo, o último livro que ele leu foi justamente um livro já editado em França sobre o `Maio de 68`. Ele estava preocupado, para não dizer mesmo aterrorizado com as consequências que os acontecimentos em França poderiam ter em Portugal e isso é manifesto no último Conselho de Ministros a que presidiu, já em setembro de 1968 onde é patente a sombra do `Maio de 68`", explica José Pedro Castanheira.

Outro episódio "muito importante" diz respeito à decisão de, por um lado, deportar Mário Soares para São Tomé e Príncipe, em março de 1968 e, em contrapartida, a decisão de pôr termo a essa deportação já tomada por Marcelo Caetano no primeiro Conselho de Ministros a que presidiu, em outubro de 1968 e que "revelava a decisão de reverter aquilo que de pior o salazarismo tinha".

No livro destacam-se, entre outras, a única entrevista concedida por Vera Wang Franco Nogueira, viúva de Alberto Franco Nogueira (1918-1993), diplomata e ministro dos Negócios Estrangeiros durante o Estado Novo, além dos depoimentos de Mário Soares e Jorge Sampaio.

Além da documentação relacionada com os diários de Salazar, o livro revela também a correspondência diplomática norte-americana de Lisboa para Washington.

"Tivemos um colaborador nos Estados Unidos a trabalhar nessa documentação onde é patente a preocupação do embaixador William Bennett sobre as consequências da morte política de Salazar. Ele acompanhou todas as peripécias que decorreram em Portugal e que infelizmente os portugueses não souberam porque a censura o impediu", refere o jornalista.

O livro aprofunda ainda questões relacionadas com "a luta pelo poder", a "galeria dos derrotados" do regime e a "longa marcha de [Marcelo] Caetano".

"Há muito trabalho que deixamos aos historiadores que tem de ser obviamente completado e corrigido. Nós somos jornalistas e não nos compete a nós trabalhar para a História. São apenas contributos para que outros continuem a investigação. Há realmente muita coisa nos arquivos ainda por descobrir e há muitos relatos de memória oral que vale a pena registar", disse ainda José Pedro Castanheira.

O livro "A Queda de Salazar - O Princípio do Fim da Ditadura", de José Pedro Castanheira, António Caeiro e Natal Vaz (Tinta da China) é hoje apresentado na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, Lisboa.

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Castanheira Caeiro, Madalena Garcia, Príncipe,

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