Ministro da Cultura destaca perfil "antifascista e feminista" de Natália Nunes

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O ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, lamentou hoje a morte da escritora e ensaísta Natália Nunes, que morreu na Ericeira, aos 96 anos, destacando o seu perfil "antifascista e feminista, com ampla intervenção social".

Num comunicado hoje divulgado pelo gabinete, o ministro lamenta "profundamente" o desaparecimento da romancista e dramaturga, recordando as palavras da própria autora, que assumiu ter sempre defendido "ideias sociais", e sublinhando que a política lhe esteve sempre presente, "com uma tão grande preocupação que chega à angústia".

A tutela da Cultura recorda ainda que Natália Nunes colaborou com a imprensa ao longo de várias décadas e, em 2002, entregou à Biblioteca Nacional o espólio de seu marido, Rómulo de Carvalho, conhecido pelo pseudónimo de António Gedeão.

O comunicado acrescenta que a autora de vasta obra, da ficção ao ensaio, deixou na sua escrita a vida de todos, "com as suas frustrações, os seus projetos, sonhos, desejos, êxitos e malogros", e ensinou ao país também que "não há escritor que possa afirmar que nas suas obras não haja experiência vivida, mas não há só isso".

Autora dos romances "Regresso ao Caos" e "Assembleia de Mulheres", Natália Nunes, nascida em Lisboa a 18 de novembro de 1921, destacou-se ainda pelas obras "Autobiografia de Uma Mulher Romântica" e "Vénus turbulenta", também como dramaturga e ensaísta, e, como contista, com títulos como "Ao Menos um Hipopótamo", "As Velhas Senhoras" e "Louca por Sapatos".

Resistente antifascista, durante os anos de ditadura, e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Escritores - encerrada pela PIDE, polícia política do regime, em 1965 -, era "considerada unanimemente uma das jovens mais bonitas da capital", como a definiu o seu marido, o escritor e pedagogo Rómulo de Carvalho (1906-1997).

Natália Nunes estreou-se na literatura em 1952, com "Horas vivas: Memórias da Minha Infância", a que se sucedeu "Autobiografia de uma Mulher Romântica" (1955).

Vivia então em Coimbra, onde fez o curso de Bibliotecária-Arquivista (1956), depois da licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas (1948), na Universidade de Lisboa.

No primeiro livro, "Horas Vivas", a escritora "reflete o ambiente quase medieval, dessa altura, na Beira Alta, onde fez a maior parte da instrução primária", destaca a Plataforma Escritores Online, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa.

A partir de então, a escrita esteve sempre presente na sua vida, a par do trabalho nas Bibliotecas da Ajuda e Nacional, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e na Escola Superior de Belas-Artes, como bibliotecária e conservadora.

Em memórias, além do livro inicial, contam-se "Uma portuguesa em Paris" (1956) e "Memórias da Escola Antiga" (1981). É autora da peça de teatro "Cabeça de Abóbora" (1970).

A obra de ficção disponível da escritora está publicada na editora Relógio d`Água.

No ensaio, Natália Nunes escreveu ainda sobre Dostoievski, Raul Brandão, Augusto Abelaira, José Cardoso Pires, entre outros autores, sobretudo para as revistas Vértice e Seara Nova.

Traduziu Dostoievski, Tolstoi, Simonov, Elsa Triolet, Violette Leduc, Balzac e Roger Portal, para editoras como a Portugália, Edições Cosmos e Edições Aguilar, do Rio de Janeiro.

O corpo da escritora está desde as 16:00 na capela mortuária da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa.

O funeral realiza-se na quarta-feira, a partir das 16:00, para o Cemitério dos Olivais, onde será cremada.

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