Miramar ou a sintonia entre dois guitarristas portugueses

| Cultura

Peixe e Frankie Chavez, dois guitarristas da música portuguesa, juntaram-se para um projeto instrumental, "orgânico e acústico", ao qual chamaram Miramar, nome de uma localidade à beira-mar e de um álbum lá nascido.

O álbum, homónimo, sai no próximo dia 25 e a propósito da edição, Pedro Cardoso (Peixe) e Francisco Chaves (Frankie Chavez) explicaram à agência Lusa que as canções compostas espelham uma sintonia e uma cumplicidade mútua, nascida numa casa junto à praia, em Miramar (Vila Nova de Gaia).

Na génese deste encontro musical esteve, em 2017, a iniciativa Guitarras ao Alto, criada por Vasco Durão, no Alentejo, a pensar em duos inéditos de guitarra.

Peixe e Frankie Chavez refugiaram-se durante dois dias numa casa em Miramar, a trabalhar em canções para os concertos de Guitarras ao Alto, meses depois replicaram esse trabalho em estúdio e o resultado sai agora em disco, com onze temas de um e de outro.

"A sintonia que se criou ali foi tão profunda que gerou essa produtividade imensa. Foi potenciada com o processo, de ir comer à beira-mar, jogar um pingue-pongue. Foi um ambiente acolhedor, foi muito descontraído", explicou Peixe.

"Ping Pong" é, aliás, o título da primeira música que criaram, à qual juntaram temas que tinham sido compostos a solo, como "Pine Trees", de Frankie Chavez, e "Despassarado", de Peixe, e que foram renovados por causa desta dinâmica em dupla.

O resultado é "um instrumental diferente, canção; é uma coisa melodiosa, harmoniosa, não é um exercício de técnica e de egos. Não há egos aqui", sublinhou Frankie Chavez.

O pendor mais melancólico das canções, e que convoca uma ideia de banda sonora de um filme imaginário, foi acentuado nos concertos que deram em 2018, com projeção visual de André Tentúgal e Jorge Quintela.

Essa componente de projeção de imagem deverá manter-se nos próximos concertos de Miramar. Estão já marcadas apresentações do álbum a 14 de março na Casa da Música (Porto), no dia 26 desse mês no Teatro Villaret, em Lisboa, e no dia 30 no Salão Brasil, em Coimbra.

Em "Miramar", Peixe, 44 anos, e Frankie Chavez, 39 anos, tocam várias guitarras, incluindo guitarra portuguesa, elétrica e weissenborn (slide guitar). A relação de ambos com este instrumento de cordas vem da infância e da adolescência, de aprendizagem entre autodidatismo e academismo.

"O mais importante foram os Ornatos [Violeta], de fazer música com os meus amigos e passar muitas horas a experimentar. O lado académico é importante, mas sem criatividade o lado académico não interessa nada", disse Peixe.

Além dos Ornatos Violeta - que farão vários concertos no verão - Peixe foi ainda músico fundador dos Pluto, DEP, Zelig e da OGBE - Orquestra de Guitarras e Baixos Elétricos e lançou dois álbuns a solo.

Frankie Chavez, que se recorda de ter começado a tocar com nove anos, que aprendeu jazz, passou pelo conservatório e aprendeu a tocar coisas dos Ornatos Violeta - "um gajo quando é fã tem que aprender com os que gosta" - lançou vários álbuns a solo, entre os quais "Family Tree" e "Double or nothing".

 

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