Morreu estrela do cinema da Coreia do Sul raptada em 1978 pela Coreia do Norte

| Cultura

|

Uma atriz sul-coreana, raptada por ordem do pai do atual líder da Coreia do Norte e obrigada a fazer filmes para o regime, morreu com 91 anos, anunciou hoje a família.

Choi Eun-hee foi, entre 1950 e 1970, uma estrela do cinema sul-coreano, antes de ser raptada por agentes norte-coreanos em Hong Kong em 1978, sob ordens de Kim Jong-il, um apaixonado pela sétima arte.

Pouco tempo depois, o ex-marido, o famoso realizador sul-coreano Shin Sang-ok, foi também raptado pelos norte-coreanos.

O casal foi obrigado a ficar na Coreia do Norte durante oito anos, tendo filmado em conjunto uma dezena de filmes a pedido de Kim Jong-il. Apesar da vigilância permanente de agentes norte-coreanos, os dois deslocavam-se com frequência ao estrangeiro para filmar ou para assistir a festivais de cinema.

Choi chegou a ser proclamada melhor atriz no festival internacional de cinema de Moscovo, em 1985, pelo papel em "Sal", sobre coreanos que combatem contra o colonizador japonês entre 1910 e 1945.

O casal, que se tinha divorciado em 1976, voltou a casar-se, durante uma viagem à Hungria, a pedido de Kim.

Depois de terem participado na Berlinale de 1986, os dois conseguiram fugir através da embaixada norte-americana em Viena. Viveram nos Estados Unidos durante mais de dez anos e só regressaram à Coreia do Sul em 1999.

Shin morreu em 2006. A vida do casal inspirou vários livros e filmes.

O funeral da atriz, que participou em mais de 100 filmes, muitos dos quais realizados por Shin, vai realizar-se na quinta-feira, em Seul.

A Coreia do Norte raptou centenas de sul-coreanos, ao longo das décadas que se seguiram à Guerra da Coreia.

Tópicos:

Berlinale, Hong Kong, Kim Jong, Seul, Shin Sang,

A informação mais vista

+ Em Foco

O antigo procurador-geral da República do Brasil revelou à RTP que já recebeu várias ameaças de morte e defendeu uma reforma profunda do sistema político brasileiro.

Quando Ana Paula Vitorino indicou Lídia Sequeira, a economista ainda era gerente da sua empresa, o que viola a lei em matéria de incompatibilidades e o dever de imparcialidade.

Em seis anos, as investigações sucederam-se, sem poupar ninguém, da política ao futebol e à banca, seguindo a bandeira da ainda procuradora geral, o combate à corrupção.

    O Conselho Europeu informal de Salzburgo tem em cima da mesa dossiers sensíveis, com a imigração e o Brexit no topo da agenda. A RTP preparou um conjunto de reportagens especiais sobre esta cimeira.