Norte-americanos Coven estreiam-se em Portugal no Woodrock na Figueira da Foz

| Cultura

A banda de culto norte-americana Coven, pioneira do chamado rock oculto e que começou a carreira em 1967, atua pela primeira vez em Portugal na sexta-feira, no festival Woodrock, em Quiaios, Figueira da Foz, anunciou a organização.

Os Coven, cuja denominação provém do imaginário ligado às ciências ocultas, magia e bruxaria, são uma banda liderada pela vocalista Jinx Dawson, cofundadora do grupo aos 17 anos - hoje tem 69 - com o baixista Oz Osborne e o baterista Steve Ross. Causou escândalo nos EUA em 1969, com o seu álbum de estreia "Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls", devido ao conteúdo considerado satânico e à apologia e glorificação feita a Satanás.

No álbum aparece, pela primeira vez na história do rock, o chamado `símbolo dos chifres` (os dedos mindinho e indicador espetados, anos mais tarde disseminado a nível planetário em concertos de hard rock e heavy metal), mas também cruzes invertidas, chamas e artefactos relacionados com o ocultismo na recriação de um ritual satânico, com Jinx Dawson deitada nua num altar, rodeada pelos membros da banda.

Na última faixa do trabalho de estreia - que seria retirado do mercado devido à controvérsia gerada - com 13 minutos de duração e intitulada Missa Satânica, os Coven interpretam cânticos e orações dedicados ao diabo e aos vários nomes pelo qual este é conhecido, terminando com a expressão retirada do latim "Ave Satanás".

A banda, originária de Chicago, mas que se estabeleceu na Califórnia, manteve-se em atividade até meados dos anos 1970. Voltaria aos palcos e às gravações apenas em 2007 e, dez anos mais tarde, atuou pela primeira vez na Europa, na Holanda e Reino Unido. Os Coven começam uma nova digressão europeia na sexta-feira, no festival Woodrock, na Praia de Quiaios, a norte da Figueira da Foz, a primeira das 11 datas europeias, que os levará também a Espanha, França, Alemanha e República Checa.

"Trazer os Coven era um desejo antigo do festival. Conseguimos chegar a acordo com eles e a digressão europeia começa aqui", disse à agência Lusa Paulo Cardoso, da organização do Woodrock, festival que decorre entre quinta-feira e sábado, cumprindo este ano a sétima edição consecutiva.

Acrescenta que a estreia dos Coven em solo luso "será um acontecimento único" e argumenta que o Woodrock "vai entrar na história dos festivais em Portugal".

"É uma banda que está na história do rock mundial. E quanto mais conhecemos o percurso dos Coven, mais temos a certeza de que vamos fazer parte de um momento histórico. É uma banda que está agora a ser redescoberta, mais de 50 anos depois de se ter formado", enfatiza Paulo Cardoso.

O organizador do Woodrock lembra que os Coven "foram perseguidos" nos EUA das décadas de 1960 e 1970 "numa sociedade profundamente católica e altamente preconceituosa, não só pelo imaginário que recriavam e os temas satânicos, mas também por Jinx Dawson ser mulher".

Paulo Cardoso admite que entre o público do Woodrock "muitos desconhecem a história dos Coven", sustenta que o que a banda norte-americana fez há 50 anos "era novo e podia ser chocante" mas enfatiza a certeza de que Jinx Dawson "será muito acarinhada" no festival da praia de Quiaios.

À organização do Woodrock, a vocalista e líder dos Coven fez apenas um pedido especial: "Sumo de cenoura de boa qualidade", revela.

De resto, o Woodrock é conhecido por promover a integração de produtos locais - como o chouriço de Quiaios ou as Brisas da Figueira - na alimentação fornecida aos artistas e este ano não será diferente, disse Paulo Cardoso.

"Todos disseram que estamos à vontade para o fazer", garante.

O Woodrock, que mantém uma política "muito estudada todos os anos de não crescer desmesuradamente, não crescer por crescer", começa na quinta-feira com um cartaz onde pontificam o duo francês Putan Club, que mistura guitarra, baixo, voz e muita eletrónica, os espanhóis El Altar del Holocausto e os portugueses Galo Cantàsduas e Wildnorthe.

Na sexta-feira, dia de estreia dos Coven em Portugal, o cartaz inclui ainda os espanhóis Santo Rostro e Acid Mess e os portugueses Greengo e Asimov.

No sábado, último dia do Woodrock, Paulo Cardoso destaca a presença "muito importante" do rock dos portugueses Linda Martini, acompanhados no cartaz pelos ingleses Church of the Cosmic Skull, outra estreia em Portugal, e os projetos nacionais Solar Corona, Sunflowers e The Quartet of Woah.

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