Reportagens sobre migrantes e incêndios em Portugal finalistas do Prémio Rei de Espanha

Reportagens sobre migrantes e incêndios em Portugal finalistas do Prémio Rei de Espanha

Reportagens sobre o significado da morte, o tráfico de pessoas no Brasil, os incêndios em Portugal ou a devastadora tempestade DANA que atingiu Valência estão entre as finalistas do Prémio Rei de Espanha de Jornalismo hoje divulgados.

Lusa /

Um júri internacional, composto por jornalistas de renome, selecionou os finalistas para este galardão no campo ibero-americano, que inclui um prémio de 10.000 euros em cada categoria e para o qual concorrem 230 trabalhos de cerca de 20 países este ano.

Organizado pela Agência de Notícias EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), este prémio reconhece anualmente, desde 1983, o trabalho jornalístico dos profissionais de língua espanhola e portuguesa dos países da Comunidade Ibero-Americana de Nações e daqueles com os quais a Espanha mantém laços históricos e relações culturais e de cooperação.

Na sua 43.ª edição, o júri selecionou dois finalistas em cada uma das seis categorias, dos quais serão escolhidos e anunciados os vencedores na sexta-feira.

Em `Jornalismo Ambiental`, que reconhece contributos para a comunicação sobre modelos de desenvolvimento sustentável, estão nomeados `Minas ilegais na Amazónia alimentam o tráfico sexual na fronteira com a Guiana`, uma reportagem da plataforma digital Mongabay (Brasil) e `País dos Incendiários`, um podcast da revista digital Divergente (Portugal).

O trabalho português percorre o país de norte a sul para explorar as causas dos incêndios criminosos, num contexto de êxodo rural, campos abandonados e alterações climáticas.

A categoria `Jornalismo Narrativo` reconhece a melhor reportagem, em qualquer formato, que contribua para o direito à informação, estando nomeados o podcast da Cadena SER (Espanha) `Assistolia: Morte por Dentro` e `O Capitão e a Pulseira de Esmeraldas`, um podcast narrativo de não-ficção coproduzido pela Peripecia (Espanha) e La No Ficción (Colômbia) que revisita o escândalo que envolve Bobby Moore.

Na categoria `Cooperação Internacional e Ação Humanitária`, que reconhece a disseminação de valores relacionados com a educação, o desporto ou a criação de sociedades mais justas, estão nomeados `Povos Isolados Incorporam a Resistência na Amazónia`, uma série de reportagens do GLOBO (Brasil) e `Rio Grande, o Rio dos Mil Migrantes Mortos`, uma investigação transnacional do El Universal (México).

Em `Jornalismo Cultural`, que reconhece valores relacionados com a cultura com o objetivo de criar sociedades mais informadas e fomentar o pensamento crítico, foram escolhidos `Contracultura`, projeto cultural do veículo de media digital Contracorriente (Honduras) e `Seguindo os Passos Perdidos de Emilia Ayarza`, da revista El Malpensante (Colômbia).

Já em `Fotografia`, um prémio para a melhor imagem ou ensaio fotográfico que explore todas as possibilidades deste meio, estão nomeados `O Golpe`, fotografia publicada em O Estado de S. Paulo (Brasil) que mostra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro a exibir a pulseira eletrónica e `L`Horta Sud`, fotografia publicada no El País que destaca o trabalho dos serviços públicos.

Em `Veículos de comunicação social ibero-americanos`, que destaca o trabalho informativo dos órgãos de comunicação social ibero-americanos, estão nomeados `La Nación`, um dos jornais mais tradicionais da Argentina e `Aos Factos`, uma organização jornalística brasileira com um percurso pioneiro na América Latina por investigar, confrontar e documentar como as plataformas digitais moldam a comunicação e operam como vetores de desinformação.

A cerimónia de entrega dos prémios, que inclui uma escultura do artista Joaquín Vaquero Turcios e 10.000 euros --- um valor comparável ao do Prémio Pulitzer --- será presidida pelo Rei Felipe VI de Espanha, numa data ainda a definir, noticiou ainda a Efe.

O Brasil contou com 75 das nomeações desta edição, seguido por Espanha (55), Colômbia (28), México (22), Argentina (8), Equador (7), Portugal (6), Venezuela e Honduras (3 cada), Peru, Estados Unidos e Angola (2 cada), e Porto Rico, Nicarágua, El Salvador e Cuba (1 cada).

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