Sequeira Costa. "Um grande artista e um colaborador fundamental" - Gulbenkian

| Cultura

O pianista José Sequeira Costa, que morreu na quinta-feira, foi "um grande artista e um colaborador fundamental na história da intervenção da [Fundação Calouste Gulbenkian] no campo das artes", afirmou hoje a presidente da instituição.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a presidente da Fundação Gulbenkian, Isabel Mota, afirma: "A morte de José Carlos Sequeira Costa representa a perda de um dos maiores intérpretes musicais portugueses do século XX e, no momento da sua morte, a Fundação Calouste Gulbenkian presta sentida homenagem a um grande artista e a um colaborador fundamental na história da intervenção da instituição no campo das artes".

No comunicado, a Fundação, onde Sequeira Costa foi presença regular na sua programação musical, afirma que o pianista se "afirmou desde muito cedo como uma referência internacional numa tradição pianística derivada da escola de Liszt", que tinha sido professor de Vianna da Mota que, por seu turno, tinha sido professor de Sequeira Costa.

Numa entrevista à agência Lusa, em 2008, José Sequeira Costa afirmou a este propósito: "Formámos uma escola excecional: Beethoven, que ensinou Karl Czerney, que foi professor de Franz Liszt, que por sua vez ensinou Vianna da Motta, eu, seu discípulo, e, a seguir a mim, Artur Pizarro".

No mesmo comunicado lê-se que a carreira do pianista "esteve sempre estreitamente associada à Fundação Calouste Gulbenkian".

"Foi um colaborador frequente da Temporada de Música da Fundação, quer em recital, quer como solista da Orquestra Gulbenkian, com a qual também se apresentou no estrangeiro e em gravações de estúdio".

A Fundação realça que "ainda muito jovem", Sequeira Costa foi convidado "a apresentar-se nas mais prestigiosas salas de concerto mundiais" e fez parte de "júris de alguns dos principais concursos internacionais de piano, como o Concurso Tchaikovsky de Moscovo".

Como pedagogo distinto, regeu na Fundação durante anos um curso de aperfeiçoamento de técnica e interpretação pianísticas, que foi fundamental para a formação e revelação de sucessivas gerações de pianistas.

"A sua classe de Piano na Universidade do Kansas tornou-se num centro de formação procurado por alunos de todas as nacionalidades, e o Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, que fundou e que contou desde sempre com um apoio relevante da Fundação Gulbenkian, afirmou-se ao longo dos anos como uma referência entre as grandes competições do género", acrescenta Isabel Mota.

Em 2008, em entrevista à Lusa, Sequeira Costa apontou o pianista Artur Pizarro como o continuador da organização do Concurso Vianna da Motta: "Moldei uma escultura especial, um Artur Pizarro que, artística e musicalmente, será o continuador da obra dos concursos Vianna da Motta, se ele o quiser, puder e as autoridades permitirem".

José Carlos Sequeira Costa, que, de acordo com familiares, nasceu em Luanda, em 18 de julho de 1929, morreu na quinta-feira, na cidade de Olathe, no Estado norte-americano do Kansas, a poucos meses de completar 90 anos, vítima de cancro.

Distinguido em 2004 com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, Sequeira Costa foi um dos nomes mais significativos do piano português no século XX.

Em 1951, venceu o Grande Prémio de Paris no Concurso Internacional Marguerite Long, tendo desde então sido um dos nomes de maior projeção nos palcos internacionais.

A convite de Dimitri Chostakovitch fez parte do primeiro júri do Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscovo, no ano de 1958.

Desde 1976 era professor de piano na Universidade do Kansas, nos Estados Unidos.

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Gulbenkian Isabel Mota, Luanda, Piano Vianna, Pizarro, Sequeira, Vianna Motta,

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