Teatro Aberto estreia versões de "A verdade" e "A mentira"

| Cultura

Os enganos e as traições, nos anos de 1950 e na atualidade, marcam as peças "A verdade" e "A mentira", de Florian Zeller, que se estreiam na sexta-feira e no sábado, respetivamente, no Teatro Aberto, em Lisboa.

Com estas peças, o diretor do Teatro Aberto e encenador João Lourenço regressa ao universo dramatúrgico do autor francês de "O pai" para, através da traição entre dois casais, refletir sobre a mentira que está instalada no mundo.

"Ontem como hoje, mentimos muito", afirmou o encenador à agência Lusa, no final de um ensaio de imprensa de ambas as peças.

Escritas em 2013 e 2016, "A verdade" e "A mentira" são duas comédias de enganos que têm por tema central a mentira, abordada a partir da traição de dois casais amigos.

Em "A verdade", o protagonista é Paulo Pires, uma espécie de Casanova dos anos 1950. Em "A mentira", o protagonismo vai para Miguel Guilherme, o marido que primeiro assume ter sido infiel à mulher.

Pôr em cena duas peças ao mesmo tempo, com os mesmos quatro atores, foi um desafio para João Lourenço -- como o próprio confessou à imprensa -- acabando o encenador por remeter a ação de "A verdade" para os anos 1950, e manter a de "A mentira" na atualidade.

Em "A mentira", João Lourenço optou também por fazer uma instalação, fazendo com que cerca de duas dezenas de espetadores entrem no palco antes do início do espetáculo, para que se inteirem da verdade do espaço e da cenografia da peça, que decorre entre o escritório de uma editora, um quarto e uma sala.

Em "A verdade", a cenografia é marcada por um espaço fixo - a casa do protagonista - e outros móveis, que representam os hotéis e o balneário onde ocorrem as traições.

O facto de o dramaturgo francês, de 39 anos, abordar temas muito ligados à realidade atual, é um dos motivos por que João Lourenço gosta muito das suas peças, alegando que o escritor é hoje um dos dramaturgos mais representados em todo o mundo.

"Todos mentimos muito, mesmo que não nos apercebamos disso", disse João Lourenço, sublinhando que o facto de o dramaturgo ter remetido a mentira para o seio familiar ainda tem mais peso, "já que é no seio da família onde a mentira dói mais".

Para o encenador, estas peças servem para "pensarmos um bocadinho no que andamos a fazer", já que "andamos todos a mentir uns aos outros e nem nos apercebemos que andamos a fazê-lo", pelo que "andamos também a mentir a nós próprios".

"E nem falo dos políticos, porque esses mentem sempre", frisou.

A verdade é que esta mentira de casal que caracteriza as duas peças não se confina ao espaço familiar e "sai para o mundo", observou João Lourenço.

A determinada altura de "A Mentira", Miguel Guilherme pede ao público que o ajude a decidir se vai contar a verdade à mulher, ou se vai continuar a mentira de forma a que a relação deles não entre em colapso. A participação é solicitada, mas acaba por não ter reflexo no final da história, já que o protagonista opta por decidir avançar com a opção que já ponderara independentemente da decisão do público.

Com versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos -- que assina também a dramaturgia de ambas as peças - a interpretação está a cargo de Paulo Pires, Miguel Guilherme, Patrícia André e Joana Brandão.

A cenografia é de João Lourenço e António Casimiro, os figurinos são de Ana Paula Rocha e, o vídeo, de Nuno Neves.

"A verdade" fica em cena na sala Vermelha, de quarta-feira a sexta, às 21:30, e, aos domingos, às 18:30, enquanto "A mentira" sobe ao palco da sala azul, de quinta-feira a sábado, às 21:30, e, aos dolmingos, às 16h00.

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Escritas, Lourenço Vera San Payo, Mentira, Pires, Rocha,

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