Tecelagem de plástico e cintos de café na Greenfest da próxima semana

por Lusa

Lisboa, 12 out 2019 (Lusa) -- Técnicas de fazer tecelagem com sacos de plástico ou cintos a partir de restos de café vão ser mostradas a partir de quinta-feira em Carcavelos, arredores de Lisboa, na 12.ª edição da Greenfest, a maior feira de sustentabilidade do país.

Entre os dias 17 e 20 de outubro, na Universidade Nova de Carcavelos, milhares de pessoas vão poder assistir à concretização de ideias sustentáveis mas também a conferências, palestras, workshops, teatros, iniciativas e amostras culinárias, e concertos, tudo ligado ao ambiente mas também à saúde, bem-estar, educação e empreendedorismos.

A Greenfest é uma iniciativa ligada à sustentabilidade que começou há uma dúzia de anos no Estoril pela mão de Pedro Norton de Matos, um gestor que importou a ideia dos Estados Unidos e que recentemente começou a organizar uma segunda "feira" sustentável em Braga.

Este ano pela primeira vez na Universidade Nova a feira de sustentabilidade deverá juntar ainda mais pessoas do que o habitual, prevê Pedro Norton de Matos, que em declarações à Lusa disse que para os dois primeiros dias já estava confirmada a presença de 3.500 alunos e professores, a uma semana do início da Greenfest.

Numa nova casa, mas com o mesmo parceiro, a Câmara Municipal de Cascais, o tema da iniciativa será a água, mas Norton de Matos diz que muitos outros serão debatidos, desde logo na conferência sobre as tendências que estão "a moldar o presente e a redesenhar o futuro", que junta empresários e universitários.

Norton de Matos destaca o "simbolismo" de fazer a Greenfest numa Universidade, afirmando acreditar que só através da educação em sentido lato, a formação e a investigação e o desenvolvimento será possível que o mundo avance para outro patamar, abandonando o modelo de "híper consumo".

Otimista, o responsável nota que há hoje "um sentido maior de urgência para enfrentar os desafios", e diz que está pronto para receber todos os que queiram juntar-se à Greenfest, de entrada livre e construída com materiais reutilizáveis. "Reciclar também é danoso para o ambiente, antes há que reutilizar", diz.

Aos jovens das escolas, nos dois primeiros dias, mas também às famílias, Pedro Norton de Matos propõe jogos, mas também teatro (peça "A última lição", da Companhia 21, cujos atores são jovens adultos com trissomia 21), música, exposições de realidade virtual e uma "aquametragem", um filme de animação sobre o tema da água.

E além de temas e especialistas relacionados com a sustentabilidade, como a investigadora Ana Pires, que estuda embalagens feitas a partir de materiais que não o plástico, como cogumelos, algas ou soro de leite, Pedro Norton de Matos sugere atenção para as carteiras e pastas feitas a partir de coletes salva-vidas de migrantes, uma iniciativa da empresa holandesa "Makers Unite", cujo fundador, Thami Schweichler, estará na Greenfest.

No programa ainda em destaque a presença da brasileira Nicole Brent, autora de um projeto chamado "Casa Sem Lixo", e de Calixto Suárez, defensor da cultura indígena Colombiana.

E Norton de Matos fala ainda à Lusa das quase 100 bancas com mostras, produtos e artesanato feito a partir de materiais que se reaproveitam, ou as propostas na área da saúde, quer de rastreios, quer de alimentos para doentes oncológicos, quer de aproveitamento de alimentos do frigorífico. E comidas e bebidas típicas de países como o Peru ou o Chile.

"Ao celebrar o que de melhor se faz nas vertentes Ambiental, Social, Económica e Cultural, o GreenFest posiciona-se como uma plataforma de partilha de ideias, experiências e melhores práticas sustentáveis, que contribui para uma maior visibilidade de projetos de empresas, instituições e cidadãos que têm o futuro sustentável em mente", diz um comunicado divulgado pela Greenfest.

E à Lusa Norton de Matos acrescenta: "não temos propostas fundamentalistas, mas todas elas vão no sentido de fazer a apologia de que há alternativas" ao estilo de vida atual.

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