Francisco Neto e Mónica Jorge: "O futebol feminino tem futuro em Portugal"

As palavras são de alento e confiança. Em entrevista à RTP, o atual selecionador nacional e diretora para o futebol feminino da Federação Portuguesa de Futebol repassaram a histórica qualificação das jogadoras portuguesas para o Euro2017 e o ano de ouro na modalidade e refletiram também sobre o futuro do futebol feminino em Portugal.

Francisco Neto e Mónica Jorge refletiram sobre o presente e o futuro do futebol feminino
Nuno Patrício - RTP
| Desporto

No próximo ano a equipa feminina de Portugal vai participar pela primeira vez na fase final de uma grande competição. É no Euro2017 que as jogadoras portuguesas se vão estrear e Francisco Neto, selecionador nacional, vislumbrou na recente qualificação o maior feito do futebol português feminino no lado sénior.

“Sem dúvida que é um marco no futebol feminino. Felizmente, já o tínhamos conseguido nas sub-17 e sub-19, na seleção absoluta foi a primeira vez, com muito orgulho, e tem sido espetacular aquilo que temos vindo a viver desde esse apuramento”, declarou Francisco Neto.

Para Mónica Jorge a qualificação portuguesa constituiu um momento marcante para a modalidade em Portugal, visto que ainda há poucos anos o futebol era dominado pela vertente masculina. A diretora para o futebol feminino da FPF disse que a modalidade está a ganhar uma grande dimensão e que para a mulher é bom acontecerem estes momentos.


Sobre a dureza da qualificação, Francisco Neto destacou a crença da jogadora portuguesa. O selecionador disse que a equipa não começou bem a viagem, com uma derrota frente a um adversário direto, mas realçou que quando as suas jogadoras desbloquearam maus presságios foram capazes de bater os obstáculos mais duros e fazer história.

Questionada sobre a evolução do futebol feminino em Portugal, Mónica Jorge afirmou que o desenvolvimento da modalidade é notório.

“Há uma grande evolução na capacidade competitiva da atleta mas a Federação tem ajudado nesse processo. Precisávamos de um campeonato melhor que se está a justificar agora. Precisávamos das atletas mais preparadas competitivamente, até do ponto de vista emocional. Assim lidam com situações de pressão em jogos de grande competitividade e podem dar uma resposta maior”.

Para Mónica Jorge a contribuição dos clubes tem sido fulcral para a evolução do futebol feminino, destacando a junção de vários fatores que trabalham para apenas um fim.

“É um trabalho de um todo, estamos todos em sintonia. A Federação Portuguesa de Futebol, as associações distritais e os clubes estão a trabalhar muito para isso. Vamos chegar a altos voos, não no próximo ano ou próximos dois anos, mas penso que nos próximos tempos o futebol feminino em Portugal vai aproximar-se dos mais altos patamares europeus”, declarou a diretora para o futebol feminino da Federação.

Francisco Neto, por sua vez, destacou o número crescente de raparigas a jogar futebol.

“Temos mais meninas a jogar futebol e isso para nós é muito importante. Aumentando a base vamos dar sustentabilidade ao projeto dos clubes e associações. E depois há o aumento da qualidade”.

Questionados sobre a importância do investimento numa liga profissional de futebol feminino em Portugal, Mónica Jorge e Francisco Neto realçaram a melhoria de condições para as jogadoras. A Diretora da modalidade explicou que o objetivo não passa por criar uma competição com paralelo em outras ligas europeias mas que os clubes em Portugal invistam no futebol feminino.

Em termos de retorno financeiro no futebol para Mónica Jorge a resposta é perentória: “Acho que acontece não só no feminino como no masculino. O que nos conforta é que há cada vez mais condições para manter as melhores atletas a jogar no campeonato e isso é fundamental”.

Para Francisco Neto, o aparecimento de grandes clubes foi determinante para criar condições favoráveis à fixação das jogadoras no país de origem. “[A jogadora] está mais confortável, tem mais condições para fazer aquilo que mais gosta, no seu país, numa liga que cada vez mais é competitiva”.

Sendo o futebol ainda dominado pela vertente masculina, Mónica Jorge e Francisco Neto foram questionados se ainda sentem algum preconceito por parte dos pais em relação à modalidade. Ambos responderam de forma unânime: “Cada vez menos”.

A diretora para o futebol feminino na FPF destacou a nova geração de pais que adjetiva de “fantástica” e Francisco Neto lembrou que com a chegada de novas equipas há cada vez mais pessoas assistirem às partidas.

“Tive a oportunidade de estar em Braga a ver o Sporting de Braga-Sporting ao vivo e estavam quase duas mil pessoas na bancada e há muitos jogos na Liga profissional masculina que não têm tanta gente e isso é sinal que o público em geral se está a identificar com a qualidade do jogo no feminino”, disse Francisco Neto.

Nos escalões de formação, Francisco Neto destacou os grandes feitos das jogadoras mais novas que também conseguiram qualificações para competições importantes. O Selecionador nacional falou do trabalho que existe com as atletas, num contexto de adversidade, que permite chegar ao patamar mais alto da seleção nacional.

Mónica Jorge garante que existe futuro para o futebol feminino português, revelando a criação de uma liga de juniores e avançando também que pode ser instaurada uma nova taça juvenil para dar competitividade às atletas mais novas e motivação para continuarem até às equipas principais.

Questionados sobre as expectativas que detêm para o futebol feminino nos próximos anos, Francisco Neto e Mónica Jorge declararam que há um futuro brilhante para as jogadoras em Portugal.

O selecionador nacional fez uma analogia com uma criança: “Começou a andar e agora está a aprender a andar de bicicleta e vai cair algumas vezes. Mas vai levantar-se e continuar. Acima de tudo tem a ambição de ser cada vez melhor”. Francisco Neto frisou que o caminho vai ter percalços mas que sempre haverá vontade de continuar a aprender.

Mónica Jorge partilha das expectativas positivas de Francisco Neto, mas realça, acima de tudo, que é necessário continuar a evolução do futebol feminino em Portugal de forma sustentada. “Penso que cada vez mais o futebol feminino tem o caminho aberto para crescer mais e melhor”, concluiu.

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