Agência S&P sobe para "positiva" perspetiva da notação da dívida pública nacional

| Economia

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A Standard & Poor`s subiu de "estável" para "positiva" a perspetiva do `rating` (notação) da dívida pública portuguesa e manteve a nota em BBB-, anunciou a agência num comunicado divulgado esta noite.

"Esperamos que a economia portuguesa cresça perto de 2% por ano até 2021, com o défice orçamental a melhorar até 0,4% do Produto Interno Bruto [PIB] em 2020, de 0,7% este ano", afirma a agência S&P.

Aquela perspetiva positiva reflete a possibilidade de uma melhoria na nota atribuída à capacidade de crédito do país.

Segundo o texto da agência de 'rating', esta melhoria vai ser aferida pelo desendividamento público e privado, bem como pela melhoria na estabilidade financeira.

"Podemos melhorar o nosso 'rating' de Portugal se a economia continuar o desalavancar (desendividar-se) externamente ao ritmo atual de (equivalente a) 3%-5% do Produto Interno Bruto", detalhou o texto.

Este processo "iria reduzir o 'stock' ainda elevado do endividamento externo do país", especificou.

Outra condição para a S&P considerar melhorar a nota portuguesa seria a "convergência das condições de crédito em Portugal com a média da zona euro, o que melhoraria a transmissão da política monetária do Banco Central Europeu".

Em particular, a S&P destacou a importância que dá aos custos de financiamento e os ainda elevados níveis de crédito malparado no sistema bancário.

Ao contrário, a agência de 'rating' avisou que pode repor a perspetiva, agora melhorada para positiva, em estável, se se assistir "a um acentuado enfraquecimento no crescimento económico ou a uma falta de progresso na realização de reformas estruturais promotoras do crescimento da economia".

Outras ameaças mencionadas pela S&P à atual melhoria da perspetiva situam-se na eventual deterioração do saldo orçamental, ao contrário do que está à espera, ou na inversão do ajustamento externo em curso.
Aumentos consecutivos do salário mínimo não prejudicam competitividade
Os aumentos consecutivos do salário mínimo em Portugal "não devem ter enfraquecido" a competitividade dos custos dos bens e serviços portugueses, considerou a agência de notação financeira Standard & Poor's.

"Os aumentos consecutivos do salário mínimo, o mais recente dos quais em cerca de 4% em janeiro de 2018, acompanhados por medidas para compensar alguns dos custos adicionais para os empregadores, não devem ter enfraquecido a competitividade dos custos dos bens e serviços portugueses", especificou a agência de 'rating'.

Segundo a agência, "com uns estimados 14,1 euros em 2017 (dados do Eurostat), o custo horário do trabalho em Portugal está 47% abaixo da média da Zona Euro, excluindo agricultura e administração pública".

Para calcular este custo do trabalho, o Eurostat inclui salários e contribuições para a Segurança Social, custos com a formação profissional e outras despesas, como custos de recrutamento, despesas em vestuário de trabalho e taxas, e deduz subsídios.

Uma ameaça maior para as perspetivas económicas de Portugal a longo prazo vem do envelhecimento populacional, contrapôs a S&P.

Sobre a situação no imobiliário, a S&P alerta que os preços das casas estão 12% acima dos existentes há um ano e quase 15% em relação aos máximos registados antes da crise em 2008.

Este acentuado aumento dos preços é atribuído ao declínio acentuado nas taxas de juro, ao aumento continuado dos salários e rendimentos das famílias, aos desenvolvimentos no setor turístico, bem como ao interesse de investidores estrangeiros na obtenção de residência em Portugal.
Centeno: Sucesso da legislatura
O ministro das Finanças, Mário Centeno, considerou que a subida da perspetiva do 'rating' da dívida portuguesa, pela agência Standard & Poor's, reflete o sucesso das medidas aplicadas durante a atual legislatura.


"Esta notícia vem no conjunto de outras avaliações que diferentes instituições têm feito sobre o desenvolvimento da economia, das finanças públicas, do sistema financeiro em Portugal. São o resultado de um conjunto de políticas que nos propusemos implementar ao longo da legislatura (...). Um enorme esforço com sucesso assinalado pela Standard & Poor's", disse Mário Centeno aos jornalistas.

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