Airbus anuncia que vai deixar de fabricar avião A380 em 2021

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O grupo europeu Airbus anunciou que vai deixar de fabricar o avião A380 em 2021, depois do seu principal cliente, a Emirates, ter alterado parte de uma encomenda inicial por modelos mais pequenos, como o A330-900 e A350-900.

O fim foi ditado pela Emirates. A companhia aérea das arábias decidiu desviar parte do investimento previsto para o A380 para outro tipo de aviões, mais pequenos e mais eficientes. A companhia, que planeava adquirir no total 162 A380, vai comprar apenas 123. Em troca, assinou um novo contrato com a Airbus para adquirir 40 A330-900 e 30 A350-900.

Em comunicado, o CEO da Airbus, Tom Enders, explicou que por causa desta alteração não existe "uma carteira de pedidos substancial do A380 e, portanto, não há base para apoiar a produção do A380, apesar de de todos os esforços de vendas" realizadas com outras companhias aéreas nos últimos anos.

"Isso leva-nos a finalizar as entregas do A380 em 2021", afirmou. Sem qualquer remorso, dizem, uma vez que o CEO da Airbus nunca foi um entusiasta deste gigante do céus. O gigante

O A380 é o maior avião comercial do mundo. Com dois andares completos, quatro motores, e uma envergadura de asa (de uma ponta à outra) onde cabem 70 carros, foi um projeto mostrado ao mundo em 2005, com o primeiro voo.


Fabricado no Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, o A380 era então visto como o expoente máximo da tecnologia europeia. E também da força da União Europeia. Tony Blair, então primeiro-ministro do Reino Unido, dizia que era um "símbolo da força económica". Já o primeiro-ministro espanhol Jose Luis Zapatero afirmava que era "a realização de um sonho".

Um sonho europeu que sofreu o choque da realidade. Quando o primeiro A380 chegou ao mercado em 2007 - depois de vários atrasos - a crise financeira mundial começou a ganhar forma.

A opulência do A380 é atingida no coração. As companhias aéreas receiam comprar um avião que é apenas lucrativo quando está cheio. E vender 544 lugares por voo torna-se um desafio em tempos de crise.


As encomendas começam a escassear. Ao mesmo tempo, o mercado adapta-se a uma nova realidade, com voos diretos entre cidades, muitas vezes para aeroportos mais pequenos, fora das capitais.

A Boeing desenvolve o 787 e o 777, aparelhos com dois motores, mais leves e muito mais económicos. A própria Airbus segue esse caminho, com o A350, que vendeu três vezes mais do que o A380.

Chega assim ao fim um dos aviões comerciais mais fascinantes da história da aviação, a par do Concorde e do Boeing 747. De todos, apenas o norte-americano sobrevive e ainda é construído.

C/ Lusa

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