Bruxelas estima crescimento de 5,8% para 2022 em Portugal, o mais elevado da UE

por RTP
Reuters

A Comissão Europeia divulga esta segunda-feira as previsões de crescimento na Europa. Portugal vê a Comissão rever o crescimento em alta e terá o maior crescimento da União Europeia.

A anterior projeção era de um crescimento de 5,5% em Portugal e tinha sido estimada em fevereiro, antes da invasão russa da Ucrânia. O setor dos serviços, particularmente o turismo estrangeiro, recuperam fortemente face a uma base baixa.

O relatório da Comissão Europeia assinala que "as perspetivas de crescimento permanecem favoráveis, apesar dos desafios relacionados com os preços das `commodities`, das cadeias de abastecimento globais e maior incerteza na procura externa".
Andrea Neves, correspondente da Antena 1 em Bruxelas

Em 2023, a previsão comunitária é de que o crescimento passe para os 2,7%.

O Comissário da Economia diz que as previsões para Portugal são otimistas. Paolo Gentiloni admite que Portugal teve uma recuperação mais lenta em 2021 que outros países mas que agora terá ajuda do turismo externo para recuperar.

“De facto, temos boas previsões tanto para o crescimento como para o nível da dívida pública que deve atingir, em 2023, 115 por cento do PIB o que é abaixo do nível pré pandémico. Houve um caminho diferente na recuperação da economia portuguesa que não foi tão forte em 2021 como noutros países. E penso que ar reabertura do turismo, sobretudo baseado no turismo externo mais do que no interno, vai ter um papel importante”, afirmou Gentiloni.


A Comissão Europeia reviu também em alta a taxa de inflação para Portugal, para 4,4% este ano. Uma revisão em alta mas que, ainda assim, abaixo dos 6,1% previstos para a zona euro.

De acordo com as previsões macroeconómicas de primavera, hoje divulgadas, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) deverá subir de 0,9% em 2021 para 4,4% em 2022. Desce para 1,9% em 2023.

A Comissão Europeia melhorou em 1,5 pontos percentuais (p.p.) as previsões para o défice português. Espera-se um saldo negativo das contas públicas de 1,9% este ano, em linha com o previsto pelo Governo.

Em 2023, a Comissão espera um défice de 1%, quando anteriormente previa um saldo negativo de 2,8%.

Quanto ao desemprego, Bruxelas está mais otimista que Medina e prevê uma taxa de 5,7% este ano
(a do governp é de 6%), face aos 6,6% registados em 2021. Em 2023, a previsão é que seja de 5,5%.

A dívida pública mantem uma trajetória decrescente para ficar em 119% já este ano. A Comissão antevê uma descida da dívida pública para um patamar abaixo dos 120%, o que compara com os 120,7% do PIB previstos pelo Governo. Em 2023, poderá chegar aos 115,3% do PIB.Golpe duro na Europa

A concretizarem-se as previsões do braço executivo da União Europeia, Portugal será o país da União Europeia que mais vai crescer este ano. Segue-se a Irlanda (5,4%), Malta (4,2%) e Espanha (4%).

Na União Europeia, a média de crescimento será de 2,7% em 2022 e 2,3% em fevereiro. Ou seja, previsões em baixa, já que as anteriores previsões eram de 4% e 2,8%, respetivamente.

A inflação deverá ficar em 6,1% em 2022, na UE. Trata-se de uma considerável revisão em alta, porque em fevereiro, antes da guerra na Europa, a estimativa era de 3,5%. Deverá haver um pico no segundo trimestre de 2022 (6,9%) e depois deverá decair até 2,7% em 2023.

O vice-presidente da Comissão Europeia realça no Twitter que a Guerra da Rússia contra a Ucrânia veio dar um duro golpe na economia europeia. "A incerteza e os riscos continuarão elevados enquanto a Guerra continuar".



 





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