Cantanhede e Mira querem que Governo resolva problema de descargas na Vala da Vela

| Economia

Os municípios de Cantanhede e Mira, no distrito de Coimbra, exigiram hoje a "intervenção imediata" do Governo para resolver o problema de descarga de águas residuais na chamada Vala da Vela e terrenos adjacentes.

Em comunicado conjunto enviado à agência Lusa, Helena Teodósio, presidente da autarquia de Cantanhede, e Raul Almeida, presidente da Câmara Municipal de Mira, argumentam que a construção de uma nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) "demorará pelo menos três anos" e defendem a necessidade de se "avançar rapidamente com medidas que resolvam no imediato os atuais impactos ambientais" naquele recurso hídrico que atravessa os dois concelhos.

Os dois autarcas reuniram na terça-feira, em Lisboa, com o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, a quem pediram a intervenção do Governo. Reconhecem que o governante "mostrou conhecer a situação em pormenor" e que se mostrou "disponível para diligenciar no sentido de agilizar processos tendentes a diminuir significativamente o volume dos caudais".

No comunicado, os autarcas revelam que estão a ser efetuados "mais estudos" para avaliar por que razão os caudais do chamado "Intercetor Sul" da concessionária Águas do Centro Litoral "se mantêm demasiado elevados ao longo de todo o ano sem variação apreciável".

A situação "tem intrigado os técnicos e está de novo a ser exaustivamente investigada, para eliminar as causas que poderão estar na sua origem", referem.

Na nota, os líderes camarários de Cantanhede e Mira frisam que as intervenções já realizadas pela Águas do Centro Litoral (AdCL) "não terão produzido os efeitos pretendidos, porquanto as descargas de efluentes continuam a ocorrer com uma regularidade e intensidade inesperadas face às medidas mitigadoras implementadas".

Aludem, nomeadamente, à conclusão de uma empreitada de aumento da capacidade de estações elevatórias e alteração dos grupos de bombagem e quadros elétricos, anunciada pela concessionária em agosto de 2017, e outra obra, em abril deste ano, que passou pela criação de um sistema de descargas de emergência, de modo a estas serem feitas de forma controlada, intervenções que não resolveram o problema.

Os autarcas referem que o secretário de Estado do Ambiente se disponibilizou para visitar aqueles dois municípios "ainda durante o mês de junho, para analisar com as entidades locais as soluções possíveis para uma situação que se arrasta há demasiado tempo e que persiste mesmo depois de a AdCL ter implementado medidas para mitigar os impactos das descargas".

O caso tem vindo a ser denunciado por um empresário de Mira, que acusa a Águas do Centro Litoral de ser a responsável por um foco de poluição que estará a contaminar terrenos de cultivo de agrião.

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