Carlos Tavares diz que Montepio não deverá precisar de aumento de capital este ano

| Economia

O presidente da Caixa Económica Montepio Geral disse hoje que o banco não deverá precisar de um aumento de capital este ano do seu único acionista, a Associação Mutualista Montepio Geral.

"Tanto quanto podemos antecipar, não", disse Carlos Tavares, questionado hoje num encontro com jornalistas, em Lisboa, sobre se o banco necessitará de um aumento de capital do acionista.

Segundo o responsável, a instituição tem "capital suficiente para desenvolver a sua atividade".

Já este ano, como estava previsto, o Montepio realizará uma emissão de dívida subordinada de 250 milhões de euros, que servirá para reforçar rácios de capital, o que os responsáveis do banco esperam que possa acontecer no terceiro trimestre.

Sobre a intenção da Associação Mutualista Montepio Geral de criar um banco da economia social, através de entidades como misericórdias, considerou que "há muita atividade bancária de que essas instituições precisam", pelo que para o Montepio poderia ser bom ter uma relação mais próxima.

"Não me custa nada aceitar que o Montepio deva ser um banco, quer pela sua origem quer pelo seu acionista, que tenha de ter uma presença tão forte quanto possível na economia social", afirmou.

Sobre a abertura de capital, não se quis pronunciar especificamente, mas considerou que em qualquer sociedade anónima é "útil" ter vários acionistas, para que prestem contas entre si.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) tem sido falada para entrar no capital do Montepio, um tema que provocou já muita polémica. Na semana passada, o provedor, Edmundo Martinho, disse que a instituição está "tranquilamente" em "compasso de espera" pela "definição do Governo" para avaliar esse investimento.

Desde março que Carlos Tavares, ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), é presidente do Conselho de Administração e presidente executivo do banco Montepio.

Hoje, a sua administração apresentou as contas auditadas referentes a 2017 com lucros de 6,4 milhões de euros, revendo em baixa o resultado líquido de 30,1 milhões de euros apresentado em fevereiro pela anterior administração, liderada por Félix Morgado.

A contribuir para a revisão em baixa dos lucros esteve o aumento das imparidades para crédito (provisões para perdas potenciais com empréstimos), uma vez que tinham sido constituídos 138 milhões de euros pela anterior administração do banco e a atual reviu para 160,7 milhões de euros, ainda assim abaixo das imparidades constituídas em 2016 (182,5 milhões de euros), segundo a informação à CMVM.

No início de fevereiro, a administração do Montepio liderada por Félix Morgado apresentou lucros de 30,1 milhões de euros referentes a 2017, depois de quatro anos consecutivos de prejuízos (2013, 2014, 2015 e 2016) que superaram os 800 milhões de euros em termos acumulados.

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