China aplica novas tarifas em retaliação contra os Estados Unidos

| Economia

À margem da cimeida do G20 em Osaka, em junho último, as delegações norte-americana e chinesa concordaram em voltar às negociações para pôr fim à guerra comercial.
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Em resposta às novas taxas sobre produtos chineses, anunciadas por Washington no início de agosto, Pequim anunciou esta sexta-feira que vai aplicar novas tarifas de cinco a dez por cento sobre mais de cinco mil produtos norte-americanos, incluindo produtos agrícolas, petróleo, aeronaves, carros e peças para carros provenientes dos Estados Unidos. Na resposta à decisão chinesa, o Presidente norte-americano convidou as empresas do país a encerrarem operações em território chinês.

É mais uma escalada de tensões a agravar a guerra comercial entre as duas maiores potências económicas a nível mundial. No total, as tarifas chinesas hoje anunciadas estão avaliadas em 75 milhões de dólares e surgem depois de Washington ter anunciado a imposição de novos impostos alfandegários contra a China, nomeadamente sobre produtos eletrónicos. 

As tarifas chinesas entre cinco e dez por cento sobre os produtos norte-americanos, hoje anunciadas, vão abranger um total de 5.078 produtos originários dos Estados Unidos. 

Tal como as recentes tarifas impostas aos produtos chineses, no valor de 300 mil milhões de dólares, também as medidas retaliatórias anunciadas por Pequim vão ser aplicadas em duas fases, a 1 de setembro e a 15 de dezembro.  

“A decisão chinesa de implementar tarifas adicionais foi forçada pelo unilateralismo e protecionismo dos Estados Unidos”, lê-se num comunicado do Ministério chinês para o Comércio, citado pela agência Reuters.  

A par das novas tarifas, a China anunciou ainda a reposição das tarifas adicionais de 25 por cento sobre veículos produzidos nos Estados Unidos, taxas que tinham ficado suspensas desde o início do ano como sinal de “boa vontade” da China nas negociações.  

Este novo cenário promete afetar empresas como a Tesla, que tinham ajustado os preços de carros e de peças na China com a suspensão das tarifas.  

A Ford, grande exportadora para o mercado chinês, quer uma solução para este atrito a curto prazo. “É essencial que as duas economias importantes trabalhem em conjunto para alcançar um comércio equilibrado e justo”, destaca a fabricante de automóveis em comunicado.  
"Não precisamos da China”

Os desenvolvimentos recentes desta guerra comercial surgem numa altura em que analistas e especialistas temem que os atritos entre Washington e Pequim possam precipitar ou impelir uma nova recessão, com efeitos práticos na confiança dos investidores.

Em julho, a Reserva Federal norte-americana cortou as taxas de juro pela primeira vez desde 2008 devido aos receios de entrada em recessão nos EUA. Foi a primeira vez desde novembro de 2008, aquando da falência do Lehman Brothers, que a Fed assumiu um movimento descendente nas taxas.  

No mês anterior, em junho, durante a cimeira do G20 em Osaka, Japão, os líderes norte-americano e chinês concordaram no regresso às negociações, mas a tentativa de chegar a um acordo não tem obtido quaisquer progressos. Em setembro, os responsáveis pelas negociações deverão voltar a encontrar-se em Washington.

Mas a reação imediata dos Estados Unidos surgiu em tom de nova provocação na conta de Donald Trump no Twitter. Numa série de tweets, o Presidente norte-americano ataca Pequim, sublinhando que o país já perdeu “triliões de dólares com a China durante muitos anos”.

“Não vou deixar que isso aconteça. Não precisamos da China e, francamente, ficaríamos bem melhores sem eles. (…) As nossas grandes empresas norte-americanas devem começar a procurar imediatamente uma alternativa à China, trazendo inclusive essas empresas para CASA e fabricarem os produtos nos Estados Unidos”, escreveu Donald Trump. 





O Presidente norte-americano não dispõe, à partida, de instrumentos legais para obrigar as empresas norte-americanas a abandonar operações na China. Donald Trump também não esclareceu como pretende levar a cabo esse ditame, mas prometeu uma resposta em poucas horas.  

“Vou responder à aplicação de novas tarifas pela China ainda esta tarde. Esta é uma grande oportunidade para os Estados Unidos”, escreveu ainda o Presidente. 

No entanto, a ideia de Donald Trump já foi vetada pela própria Câmara do Comércio norte-americana sobre a busca de alternativas às respetivas operações na China.  

“Ainda que partilhemos da frustração do Presidente, acreditamos que a tentativa de um compromisso construtivo é a maneira certa de seguir em frente. (…) O tempo é essencial. Não queremos que as relações entre os Estados Unidos e a China se deteriorem ainda mais”, frisou Myron Brillian, vice-presidente executivo e responsável pelas relações externas da Câmara do Comércio, num comunicado.  

De acordo com a agência Reuters, várias empresas multinacionais seriam gravemente afetadas por uma retirada das operações na China, incluindo a Boeing, Apple ou a General Motors.   
 
No início de agosto, Donald Trump tinha anunciado a imposição de novas tarifas no valor de 300 mil milhões de dólares (271 mil milhões de euros) de produtos chineses, em vigor a partir de 1 de setembro e 15 de dezembro. 

Tópicos:

China, Donald Trump, Estados Unidos, Xi Jinping, Guerra Comercial,

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