China pede ao Canadá que proteja livre comércio, perante "protecionismo" dos EUA

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A China pediu hoje ao Canadá que proteja o comércio livre e rejeite medidas protecionistas, numa aparente referência ao novo acordo comercial com Washington, que permite aos EUA travarem um acordo comercial entre Otava e Pequim.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, pediu a Otava que trabalhe em conjunto com a China para avançar com o acordo de livre comércio China-Canadá, durante uma conversa por telefone com a homóloga canadiana, Chrystia Freeland.

O apelo de Pequim surgiu dias após a conclusão das negociações para o acordo EUA-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), que dá a Washington o direito de vetar um acordo entre os países vizinhos e uma "economia que não seja de mercado", numa referência à China.

"A China espera que o Canadá adote medidas concretas para proteger o comércio livre com a China, e que avance com a zona de comércio livre China-Canadá", afirmou Wang Yi, segundo um comunicado difundido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

"[Pequim] opõe-se a qualquer tipo de protecionismo e comportamento que revele critérios duplos", acrescentou. "Nenhuma tentativa que vise travar a modernização da China será bem sucedida", sublinhou.

De acordo com o comunicado do Ministério chinês, Chrystia Freeland afirmou que o USMCA "não deve prejudicar os interesses legítimos" de outros países, e que o Canadá vai continuar a negociar acordos de livre comércio.

Esta semana, o secretário do Comércio norte-americano, Wilbur Ross, afirmou que Washington vai tentar incluir a mesma cláusula em outros acordos, nomeadamente com a UE, o Japão e o Reino Unido.

A embaixada chinesa em Otava condenou já o artigo 32.10 do USMCA, afirmando que "fabrica noções do que é, ou não, uma economia de mercado fora do quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC)" e serve de "desculpa para alguns países fugirem às suas obrigações e recusarem cumprir os seus compromissos internacionais".

Na mesma nota, a embaixada chinesa protestou contra a "atitude hegemónica" dos EUA e disse "sentir pena" pelo Canadá, por ter renunciado à soberania económica.

A postura norte-americana ilustra a crescente bipolarização em torno das disputas comerciais entre Pequim e Washington, à medida que os EUA tentam isolar a China, visando contrariar as ambições chinesas no setor tecnológico.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares (217 mil milhões de euros) de importações oriundas do país asiático.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

"O risco de a China e os EUA entrarem numa nova guerra fria está a aumentar", admitiu recentemente Tu Xinquan, professor na Universidade de Economia e Negócios Internacionais de Pequim.

Os EUA, a UE e o Japão recusam reconhecer a China como "economia de mercado", por considerarem que a intervenção do Estado chinês a nível económico continua a ser forte.

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