Comércio externo chinês abranda mas superavit com EUA atinge recorde em 2018

| Economia

O ritmo de crescimento do comércio externo global da China desacelerou, em 2018, enquanto o excedente da balança comercial do país com os Estados Unidos aumentou, para um novo máximo, apesar das disputas comerciais com Washington.

No conjunto, as exportações da China registaram um crescimento homólogo de 7,1%, para 2,5 biliões de dólares, depois de terem crescido 7,9%, em 2017. As importações avançaram 12,9%, para 2,1 biliões de dólares, após um aumento de 15,9%, no ano anterior.

O superavit do país com o resto do mundo fixou-se nos 352 mil milhões de dólares.

O abrandamento na procura global por produtos chineses ocorre numa altura em que o Partido Comunista Chinês se depara com outros indicadores económicos negativos.

No terceiro trimestre de 2018, a segunda maior economia mundial cresceu 6,5%, o ritmo mais baixo dos últimos dez anos.

Na totalidade do ano, as vendas de automóveis no país caíram 5,8%, para 22,35 milhões de veículos, no primeiro declínio anual desde 1990.

No mês passado, a atividade da indústria manufatureira da China contraiu-se pela primeira vez, em 19 meses, enquanto em novembro, os lucros da indústria na China registaram a primeira queda homóloga, de 1,8%, desde dezembro de 2015, e as vendas a retalho, o principal indicador do consumo privado, recuaram para 8,1%, o ritmo mais lento desde maio de 2003.

O abrandamento coincide com o espoletar de uma guerra comercial com Washington.

Os governos das duas maiores potência mundiais impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

As autoridades norte-americanas temem ainda perder o domínio industrial global para um país visto como rival estratégico, e cujo crescente poder na Ásia tem causado erosão na influência dos EUA na região.

Ainda assim, o superavit comercial da China com os EUA atingiu o valor recorde de 323,3 mil milhões de dólares, em 2018.

As exportações chinesas para os EUA subiram 11,3%, em termos homólogos, para 478.400 milhões de dólares, enquanto as exportações norte-americanas para o país aumentaram 0,7%.

Já em dezembro, as exportações para os EUA contraíram 3,5%, em comparação com o mesmo período do ano passado, depois de as taxas alfandegárias sobre cerca de 200.000 milhões de dólares de bens chineses terem entrado em vigor, no mês anterior.

O porta-voz das alfandegas chinesas, Li Kuiwen, admitiu em conferência de imprensa que o ambiente externo é "complicado e austero".

Li considerou o aumento do "protecionismo e unilateralismo", uma possível desaceleração no crescimento global e um declínio no investimento internacional como os principais riscos para o comércio chinês.

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