Comunidade Económica da África Ocidental quer moeda única em 2020

| Economia

Os 15 países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reafirmaram hoje, em Abidjan, o objetivo de lançar uma moeda única em 2020, apesar dos "desafios" deste projeto pensado há 30 anos.

A moeda única da CEDEAO, pensada há 30 anos, substituirá o franco CFA e outras sete moedas nacionais dos países-membros da CEDEAO, uma multiplicidade que dificulta as trocas comerciais.

A reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais dos 15 países da CEDEAO, na capital da Costa do Marfim, "marca um importante ponto de viragem no estabelecimento da moeda única", disse hoje na abertura da reunião o presidente da Comissão da CEDEAO, Jean-Claude Brou.

Citado pela agência France Presse (AFP), Jean-Claude Brou acrescentou que este é um "projeto lançado pelos pais fundadores da CEDEAO" e que tem "o objetivo final da integração".

Os governantes da CEDEAO pediram para acelerar este projeto de alcançar em 2020 a moeda única,frisou.

O ministro da Economia e Finanças da Costa do Marfim, Adama Kone, disse que há uma vontade política para o lançamento da moeda comum, afirmando que "a moeda única não é mais uma utopia tecnocrática", mas alertou que "a estrada à frente está repleta de muitos desafios".

"Resta eliminar os obstáculos à livre circulação de bens, capital e pessoas", acrescentou.

O presidente da Comissão de CEDEAO, Jean-Claude Brou, disse que o nome e o símbolo da futura moeda única devem ser confirmados esta terça-feira e que os especialistas também devem discutir a "escolha do regime cambial" e o "modelo do banco central".

A ideia será transmitida aos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO na próxima reunião em Abuja, Nigéria, no dia 29 de junho.

O franco CFA é objeto de uma controvérsia recorrente entre os seus defensores, que enfatizam a sua estabilidade, e os seus detratores, que dizem que é uma moeda "neocolonialista".

Fundada em 1975, a CEDEAO conta hoje com 15 países - incluindo os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau -, com uma população total de 300 milhões, dos quais 180 são da Nigéria.

Em declarações à France Presse, um especialista financeiro da África Ocidental disse que uma moeda única não é alcançável a curto prazo, mas considerou que o estabelecimento de uma "moeda comum para empresas e instituições é concebível", se for seguido o modelo da `ecu`, a unidade de conta europeia que precedeu o euro.

"Nós não fazemos uma moeda única com base na vizinhança simples, precisamos de uma convergência mínima de economias, mesmo uma complementaridade, que não existe hoje", salientou.

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