Costa elege estabilidade e confiança como principal condição de investimento

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O primeiro-ministro português, António Costa, elegeu hoje um quadro de estabilidade e confiança como "a primeira condição para o investimento", elogiando o esforço do Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, para concluir o processo de paz.

"Ao nível político, esse processo está criado. É por isso que apoiamos ativamente a estabilização e a concretização do grande esforço do Presidente Nyusi para retomar e concluir o processo de paz, muito bem encaminhado, e que culminará certamente dentro de alguns meses em eleições autárquicas e a conclusão do processo de descentralização", afirmou António Costa, no encerramento do seminário empresarial Portugal-Moçambique, no segundo dia de uma visita oficial ao país.

António Costa considerou que Portugal apoiará esse processo, quer através do programa quadro de cooperação na área da Defesa já assinado em fevereiro, quer com os acordos assinados na quinta-feira na área da administração interna, no âmbito da III Cimeira Luso-moçambicana.

Os ministros da Administração Interna português, Eduardo Cabrita, e do Interior de Moçambique, Jaime Basílio Monteiro, assinaram na quinta-feira um protocolo de cooperação permanente em matéria de Proteção Civil e Bombeiros, nomeadamente a formação de quadros, troca de conhecimentos e assistência mútua em caso de acidente grave ou catástrofe.

Os dois ministros assinaram ainda um protocolo de cooperação entre o Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna portuguesa e a Academia de Ciências Policiais da República de Moçambique, que preveem a realização de intercâmbios de docentes e estudantes.

Como segunda dimensão essencial do investimento, Costa voltou a apontar a importância do financiamento às empresas e a aposta em instrumentos multilaterais, em especial a CPLP, que na sua próxima cimeira -- em Cabo Verde, dentro de 15 dias - irá assinar um acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para criação de um fundo dedicado a investimento nos países de língua oficial portuguesa.

"Sair de crises profundas exige esforço, trabalho, persistência e também alguma paciência, mas se há algo que é absolutamente imprescindível é a capacidade de resiliência dos agentes económicos e essa as vossas empresas sempre demonstraram bem, quer em Moçambique quer em Portugal", elogiou.

Por seu lado, o ministro da Economia e das Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, saudou a elevada participação no seminário empresarial: "Nunca tinha visto a nossa sala assim tão cheia".

"A realização deste seminário é o culminar do compromisso entre autoridades dos dois países em desenvolver ações mútuas de cooperação empresarial entre os países", sublinhou.

O ministro da Economia e Finanças fez questão de salientar a evolução positiva dos mais recentes indicadores de mercado do país, que depois dos baixos níveis de 2016 - devido à descoberta das dívidas ocultas de 2 mil milhões de dólares com garantias estatais -, registam "melhorias significativas" desde o verão passado e, sobretudo, no primeiro trimestre de 2018.

Armando Maleiane destacou a assinatura, no fim do seminário de hoje, de um protocolo entre a Agência para o Investimento e Comércio de Portugal (AICEP) e a Agência para a Promoção de Investimento e Exportação de Moçambique (APIEX).

"Portugal tem sido um dos dez principais investidores estrangeiros em Moçambique, e nos últimos cinco anos financiou cerca de 500 projetos envolvendo investidores privados portugueses e que criaram mais de 28 mil postos de trabalho", destacou.

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