Créditos privados em Timor-Leste com aumento "incomum" de 25% em 2017

| Economia

Os empréstimos comerciais ao setor privado em Timor-Leste caíram 2% no ano passado, após o aumento "incomum" de 25% em 2017, possivelmente devido a linhas de crédito por atrasos em pagamentos do Estado, segundo o Banco Mundial.

O relatório económico do Banco Mundial, publicado hoje, nota que os níveis de crédito "cresceram de forma constante ao longo de 2017, mas caíram acentuadamente no primeiro trimestre de 2018".

Um comportamento que, segundo a instituição, traduz em 2017 uma "resposta a atrasos nos pagamentos que afetam setores económicos dependentes de contratos do governo (como a construção)".

A "queda acentuada" do início de 2018 "pode ter sido causada pela crescente preocupação com a capacidade dos credores de pagar dívidas", refere o relatório, notando que em termos gerais foram empréstimos individuais a impulsionar o crescimento do crédito em 2018, enquanto a construção e o turismo registaram quedas nos níveis de crédito.

Em concreto, refere o relatório, empréstimos privados individuais representaram 41% do total do crédito bancário comercial em 2018, seguindo-se a construção (25%) e o comércio e finanças (19%).

O Banco Mundial nota que o acesso ao crédito "é frequentemente relatado como uma restrição comercial importante, que pode desencorajar o desenvolvimento" de vários setores, estando atualmente a ser preparado pelo Banco Central um sistema de "garantia de crédito para estimular as pequenas e médias empresas, com partilha de risco do crédito".

Os dados hoje divulgados mostram que continua a haver níveis baixos de incumprimento, que em março de 2018 rondavam os 4% - longe do nível de 42% em 2010 - apesar de ter havido novo aumento para 6% no final do ano passado.

Um aumento que, segundo o Banco Mundial, se deve, provavelmente, "à deterioração das condições, em que as empresas e até mesmo os indivíduos lutavam com fluxos de caixa" baixos devido a atrasos nos pagamentos.

Globalmente o setor bancário continua caracterizado por alta liquidez - com um baixo rácio de empréstimos para depósito de 0,22 -- devido a "intermediação financeira deficiente" com "grande parte dos ativos do setor bancário colocada no exterior".

As taxas de juro continuam particularmente elevadas, registando uma média de 13% em 2018 -- enquanto os juros dos depósitos ficam em média abaixo de um por cento.

Noutro âmbito, a situação económica interna levou a uma queda do défice comercial no ano passado, que rondou os 940 milhões de dólares, menos dois por cento que em 2017.

A importação de mercadorias caiu 3%, principalmente devido a quedas nos veículos e máquinas, com a importação de bens de consumo e de capital a rondarem os 613 milhões e as de serviços a somarem cerca de 450 milhões.

A maioria das importações de mercadorias é originária de países membros da ASEAN, como a Indonésia e Singapura, mas também da China.

As exportações de mercadorias aumentaram quase 50%, para 25 milhões de dólares, devido ao café - que teve uma colheita melhor do que em 2017 -- e que representa cerca de 95% de todos os produtos exportados.

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