CTI conclui que houve "vulgarização" dos estados de alerta após Pedrógão Grande

| Economia

|

A comissão técnica independente (CTI) sobre os incêndios de outubro de 2017 concluiu que houve uma "vulgarização da determinação dos estados de alerta" após o grande incêndio de Pedrógão Grande, que resultou na sua desvalorização.

Esta é uma das conclusões da comissão criada pelo Parlamento, que entregou esta segunda-feira o seu relatório na Assembleia da República, em Lisboa, sobre os incêndios de 14, 15 e 16 de outubro de 2017.

"Da audição dos senhores comandantes [de 51 corporações de bombeiros dos cerca de 40 concelhos mais afetados] foi praticamente unânime que em 2017 houve uma vulgarização da determinação dos estados de alerta no período posterior ao incêndio de Pedrógão Grande, resultando na sua desvalorização", refere a CTI.

Segundo a comissão, face a esta desvalorização, "o processo de comunicação dos avisos meteorológicos do IPMA e dos alertas da ANPC deverá ser reavaliado, tendo em vista assegurar o cabal cumprimento dos respetivos objetivos junto dos destinatários".

No período de Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais de 2017, houve "109 dias de estado alerta, ou seja, o efeito pretendido junto das forças, o estado de prontidão e a capacidade de mobilização, pode acabar por não reagir em conformidade", notaram os membros da comissão.

"Acresce ao já referido o facto de a ANPC [Autoridade Nacional de Proteção Civil] ter determinado para terceiros a elevação do estado de prontidão e grau de mobilização, sem que no âmbito das suas competências tenha acompanhado o mesmo nível de alerta, nomeadamente quanto à mobilização de meios aéreos", criticam.

No relatório, a CTI recorda também que no comunicado técnico operacional (CTO) de 14 de outubro, às 15h00, onde foi determinada a passagem de alerta especial para o nível vermelho, era referido que na madrugada de segunda-feira (16 de outubro) seria previsível a ocorrência de precipitação.

"Ora sabe-se, pela experiência anterior, que nas vésperas do aviso das primeiras chuvas existem determinadas práticas que concorrem para o aumento do número de ignições, seja para renovação de pastagens, seja por outra motivação, pelo que entendemos que essa referência à chuva, no referido CTO, era desnecessária. A chuva, no caso em apreço, até chegou com 24 horas de atraso", notou a comissão.

A CTI salienta ainda que se a informação fluiu do patamar nacional para o distrital e municipal, já na transmissão das comunicações para a população "não existe tanta certeza que os avisos e demais informações cumpram o seu principal objetivo, daí a avaliação deste procedimento que importa revisitar".

Tópicos:

Incêndios Florestais, Pedrógão,

A informação mais vista

+ Em Foco

Em 9 de abril de 1918, a ofensiva alemã varre a resistência portuguesa. O dossier que se segue lança um olhar sobre o antes, o durante e o depois.

    Em Cuba, os Castro passam o testemunho do poder, que mantiveram durante quase 60 anos.

    Porto Santo tem em curso um projeto para se transformar na primeira ilha do planeta livre de combustíveis fósseis.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.