Desaceleração da economia são argumento para Governo não subir salários, diz CGTP

| Economia

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse hoje à agência Lusa que os dados que apontam para uma desaceleração da economia são o argumento perfeito para o Governo não atualizar os salários dos trabalhadores.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na quinta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) português aumentou 2,1% em 2018, menos 0,7 pontos percentuais do que o observado no ano anterior e abaixo da previsão do Governo de uma expansão de 2,3%.

Em declarações hoje de manhã à agência Lusa junto à escola EB 2/3 Manuel da Maia, em Lisboa, onde esteve na sequência da greve marcada para hoje dos trabalhadores da função pública em protesto pelo congelamento de salários e carreiras, Arménio Carlos sublinhou que "as políticas do passado têm de terminar".

"Não podemos continuar a aceitar. Primeiro, disseram que a desculpa era da recessão para não aumentar os salários, depois era a estagnação e agora num quadro onde a economia estava a crescer já estão a dizer que vai desacelerar para justificar a não atualização dos salários. Não pode ser. Esta é a política do passado. Esta é a política que temos de romper relativamente ao futuro", frisou.

O secretário-geral da CGTP recordou que o investimento público continua a ser condicionado por causa da opção de redução do défice e as exportações estão com uma ligeira quebra devido a instabilidades europeias e internacionais.

"Depois temos a procura interna. A esmagadora maioria das nossas empresas trabalha para o mercado interno, logo a solução passa pelo aumento de salários, por uma outra da distribuição da riqueza. Com melhores rendimentos vamos conseguir mais empresas, que vão vender mais e vão criar mais emprego e a economia cresce sustentadamente. Está é a saída", disse.

Segundo a estimativa do INE, a "evolução resultou do contributo mais negativo da procura externa líquida, verificando-se uma desaceleração das exportações de bens e serviços mais acentuada que a das importações de bens e serviços, e do contributo positivo menos intenso da procura interna, refletindo o crescimento menos acentuado do Investimento".

A informação divulgada pelo INE surge em linha com as estimativas dos analistas contactados pela Lusa, que anteciparam um crescimento da economia de 2,1% em 2018.

O PIB, em termos homólogos, aumentou 1,7% em volume no quarto trimestre de 2018 (2,1% no trimestre anterior) e, face ao terceiro trimestre, avançou 0,4% (0,3% no trimestre anterior).

O Governo estimou uma expansão de 2,3% do PIB no conjunto de 2018, mais otimista do que a previsão da Comissão Europeia, de 2,1%, e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2,2%.

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