"É incompreensível" tecnologia estar "prisioneira" entre regulador e regulados

por Lusa
Lusa

O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento (CNA) classifica de "incompreensível" o facto da tecnologia 5G estar "prisioneira" de uma luta entre o regulador e os regulados.

"É uma grande, grande preocupação", afirma em entrevista à Lusa António Costa Silva, que vai presidir à entidade que fará o acompanhamento da aplicação dos fundos atribuídos a Portugal no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em que uma das apostas é a digitalização e a inovação.

"É incompreensível porque é que a questão do 5G está prisioneira desta luta que existe entre o regulador e os regulados", sublinha o responsável, apontando que este "é um dos casos" em que, "provavelmente, há falta de diálogo e o país não avança".

De acordo com o Observatório Europeu para o 5G, estrutura criada pela Comissão Europeia, no final do março havia 24 países com oferta comercial e Portugal era um dos três países que ainda não disponibilizava a tecnologia de quinta geração.

Trata-se do "paradigma mental que temos, a questão dos silos, a questão de cada um fazer guerras de alecrim e manjerona encerrado nas suas torres de marfim", considera António Costa Silva.

Esta situação "não é compatível com o país do século XXI", avisa o presidente da CNA, salientando que Portugal sempre teve condições para ser pioneiro na área das telecomunicações e das novas redes móveis e "o país soube responder".

Então, "porque é que está a acontecer isto agora", questiona. "Está a acontecer exatamente pelo nosso paradigma mental e, portanto, é preciso sair daí, é preciso responder", defende, referindo que "os operadores que investiram nessa área são extremamente importantes" e também "é evidente" que a questão da concorrência o é.

"Sou das pessoas que defende que a competição, a concorrência, é sempre boa. Porquê? Porque nos faz ser melhores, apostar na inovação, em novos conhecimentos, em novas tecnologias e, portanto, a questão do 5G tem de ser resolvida", acrescenta.

António Costa Silva sublinha que o 5G não é apenas uma nova geração tecnológica ou mais robotização, mas vai "mudar o paradigma da conectividade" como também vai impulsionar as cidades inteligentes, a Internet das Coisas (em que todos os dispositivos estão ligados entre si).

"Estamos a avançar para um mundo em que vamos ter uma galáxia eletrónica que está continuamente em comunicação, ainda por cima o 5G vai aumentar a velocidade de processamento dos dados e da informação e vai responder a muitos destes desígnios", prossegue.

"Somos uma sociedade que acumula muitos dados, mas depois não está a ser capaz de tratar dados" e este "é um dos grandes problemas e dos grandes paradoxos que temos", sublinha.

Reiterando a necessidade de Portugal mudar o "paradigma mental", António Costa Silva defende que se todos souberem "falar mais uns com os outros, cooperar mais uns com os outros, independentemente das diferenças" e construir "plataformas colaborativas para responder aos problemas", então "o país vai avançar muito mais".

"Não tenho dúvida nenhuma", remata.

Portugal, que sempre foi pioneiro na introdução de novas tecnologias, tem ainda a decorrer o leilão do 5G, que dura há mais de 80 dias, num processo controverso com vários processos judiciais e críticas dos operadores à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).

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