Espanha pode complicar OPA da China Three Gorges sobre a EDP

| Economia

|

O Governo espanhol vai analisar “cuidadosamente” a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da empresa estatal chinesa, China Three Gorges, sobre a portuguesa EDP antes de decidir se dá as “autorizações correspondentes” à operação.

Em entrevista ao jornal espanhol elEconomista, o ministro espanhol da Energia, Álvaro Nadal, afirma que o Governo de Rajoy está a aguardar o pedido formal à Comisión Nacional de los Mercados y la Competencia (CNMC) para que esta analise a operação. Para já, mostra-se pouco confiante no sucesso da OPA e recorda que o conselho de administração da EDP considerou a oferta “baixa e quase hostil”.

Álvaro Nadal afirma que a China Three Gorges entrou num “vespeiro regulatório”. O governante garante que está a acompanhar o processo, uma vez que a EDP é regulada em Espanha e detém ativos nucleares.
Na totalidade são nove os países que terão uma palavra a dizer sobre esta operação. Além da União Europeia.

Para o ministro espanhol, a OPA da empresa estatal chinesa à EDP terá de superar vários obstáculos, com a internacionalização da elétrica nacional, mas sobretudo da sua subsidiária para as energias verdes, a “obrigar os chineses a obtenção do aval de países como a Espanha e o Brasil, mas também da Polónia e da Roménia”.

Álvaro Nadal considera que uma operação com estas características tem uma “complexidade regulatória” e que o Governo espanhol “terá que olhar com muito cuidado para todas as implicações” antes de decidir de vai conceder as “autorizações correspondentes”.

O ministro espanhol da Energia acrescenta que está a seguir o processo, até porque no anúncio da Oferta Pública de Aquisição a China Three Gorges não refere a necessidade de aprovação dos reguladores espanhóis, apesar de Espanha ter uma palavra a dizer. A EDP é um dos principais operadores de energia em Espanha e controla uma parte da central nuclear de Trillo, responsável pelos ativos de distribuição de energia elétrica das Astúrias.

O ministro frisa que esta oferta não é “habitual, visto que não é feita por um fundo de investimento nem por uma empresa privada do setor energético”, mas sim pelo “Estado chinês e tem uma série de ramificações que requerem um estudo apurado antes que seja tomada uma decisão”.

Segundo Álvaro Nadal, “a operação tem ainda uma dimensão europeia, pelo que o Governo espanhol está a falar com os parceiros europeus, o Governo português e a Comissão Europeia”.

O governante sublinhou a necessidade de a Europa ter “uma estratégia comum, coordenada e definida para este tipo de operações, com uma diretiva (lei europeia) que clarifique as regras do jogo e assinale os elementos sensíveis”.

Na passada sexta-feira, a China Three Gorges anunciou a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por ação, o que representa um prémio de 4,82 por cento face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 milhões de euros.

A China Three Gorges, que já detém 23,27 por cento do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

Caso a OPA tenha sucesso, a China Three Gorges avançará com uma oferta pública obrigatória sobre a totalidade do capital social da EDP Renováveis (EDPR) a 7,33 por ação.

A EDP controla 82,6 por cento do capital social da EDPR que tem a sua sede em Madrid.

Tópicos:

China Three Gorges, Espanha, OPA, EDP,

A informação mais vista

+ Em Foco

A 15 de outubro de 2017, uma vaga de incêndios fez 50 mortos e dezenas de feridos. Reunimos aqui um conjunto de reportagens elaboradas um ano depois da catástrofe.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em novos conteúdos de serviço público que podem ser seguidos na página RTP Europa.

      Um terramoto de magnitude 7,5 e um tsunami varreram a ilha de Celebes, causando a morte de pelo menos duas mil pessoas. A dimensão da catástrofe é detalhada nesta infografia.

        O desaparecimento do jornalista saudita fragiliza a relação dos EUA com uma ditadura que lhe tem sido útil a combater o Irão e a manter os preços do petróleo.