FMI revê em alta crescimento do PIB português para 4,5% e inflação para 6%

por Lusa
Yuri Gripas - Reuters

A equipa do FMI, que esteve em Portugal para a avaliação anual, melhorou a perspetiva de crescimento do PIB português para 4,5% este ano, piorou a da inflação para 6% e manteve a do défice orçamental, foi hoje divulgado.

Nas conclusões da avaliação anual a Portugal, a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), liderada por Rupa Duttagupta, espera que o crescimento diminua dos 4,9% registados no ano passado para cerca de 4,5% em 2022 e 2% em 2023, representando uma revisão em baixa cumulativa de cerca de um ponto percentual em relação ao pré-guerra.

No World Economic Outlook (WEO), publicado em abril, o FMI previa uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal de 4% este ano e de 2,1% em 2023.

No documento divulgado hoje, a equipa do FMI explica que o crescimento deverá ser impulsionado pelo consumo privado, apoiado por uma normalização mais rápida da taxa de poupança das famílias, pelo investimento público, refletindo o Plano de Recuperação e Resiliência, e pelas exportações, com o turismo a atingir o nível pré-pandemia em 2023.

O FMI assinala também que, apesar dos menores aumentos na energia e preços de eletricidade face à zona euro, as pressões inflacionistas ampliaram-se, apesar de vincar que, contudo, a inflação salarial permanece contida, abaixo do resto da zona euro.

Os técnicos assinalam que "a inflação deverá subir para 6% em 2022 e começar a recuar em 2023 devido à queda dos preços da energia e dos alimentos".

Em abril, o FMI previa que o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) em Portugal se situasse nos 4% este ano.

A missão destaca ainda que a economia portuguesa ganhou terreno em 2021 após a profunda recessão provocada pela pandemia.

"Refletindo a relevância do turismo, a economia foi mais atingida do que a zona euro (EA), mas uma resposta política decisiva e abrangente, reforçada pela resposta ao nível da UE [União Europeia] e pelo BCE [Banco Central Europeu], ajudou a moderar o impacto da pandemia nas famílias e empresas", pode ler-se nas conclusões da avaliação anual da instituição, que destaca ainda a forte campanha de vacinação, que permitiu o levantamento das restrições de atividade e apoiou a recuperação até o início de 2022.

No entanto, dá nota dos novos riscos provocados pela guerra na Ucrânia, considerando que apesar do impacto para Portugal ser sobretudo indireto, os preços das `commodities`, maiores estrangulamentos na oferta, confiança e procura externa mais fraca e condições financeiras mais apertadas deverão pesar na recuperação e na subida dos preços.

Considera, assim, que os riscos são inclinados para o lado negativo, decorrendo da excecional incerteza em torno da guerra e de potenciais novas ondas de vírus.

O FMI indica que condições financeiras mais apertadas podem prejudicar o crescimento e a posição orçamental e que os efeitos do fim das moratórias dos empréstimos ainda não foram totalmente materializados, podendo eventualmente expor maiores insolvências, reduzindo o investimento e capitais bancários.

Acrescenta ainda que a utilização mais lenta dos fundos do Next Generation EU (NGEU) apresenta riscos adicionais, sublinha que a dívida pública permanecerá alta e os preços imobiliários em alta constituem uma vulnerabilidade adicional.

Do lado positivo, a continuação da forte recuperação do turismo, recuperação da procura reprimida apoiada pelas altas taxas de vacinação e maiores retornos dos investimentos em NGEU melhorariam as perspetivas.

Nas conclusões da missão lê-se ainda que, após o tão necessário apoio orçamental em 2020-21, manter uma política orçamental amplamente de apoio em 2022 é apropriado.

A robusta recuperação do emprego e do consumo, juntamente com a plena reabertura da economia, justificam a continuação do desanuviamento este ano das medidas excecionais de apoio à pandemia.

"Excluindo essas medidas - que devem ser substituídas por procura privada - um défice orçamental projetado de 2,4% do PIB é apropriadamente acomodatício", acrescenta.

A equipa do FMI manteve contactos com as autoridades portuguesas durante os dias 21 de outubro a 04 de novembro de 2021 (virtualmente) e de 09 a 13 de maio de 2022 (presencialmente).

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