Granizo em Sever do Vouga destruiu pomares de mirtilo sem seguro

| Economia

Mais de 50 produtores de pequenos frutos, afetados pela queda de granizo na quarta-feira, reuniram hoje em Sever do Vouga, para reclamar apoio público para os prejuízos que, nalguns caos chegam aos 100 por cento.

O encontro, promovido pela Câmara de Sever do Vouga, Mirtilusa e Bagas de Portugal, contou com a presença do deputado Carlos Matias (BE), da Comissão Parlamentar de Agricultura, e teve em vista avaliar a situação e analisar as medidas a tomar, face à devastação das culturas, que não estão cobertas por qualquer seguro.

Na quarta-feira, ao final do dia, uma chuva de granizo caiu na zona de Sever do Vouga, destruindo os frutos de mirtilo que estavam à espera de completar a maturação para serem colhidos, bem como outras culturas.

"Tivemos uma destruição maciça dos pomares, não só mas sobretudo de mirtilos e em alguns locais foi "a varrer". As zonas mais afetadas foram em Pessegueiro e Paradela do Vouga, mas ocorreu um pouco por todo o concelho, menos nas freguesias do norte", descreveu à Lusa o presidente da Câmara, António Coutinho.

A queda de granizo, que não demorou mais de 15 minutos, estragou o que se perspetivava como um ano de boa produção e temporã, com colheitas já em maio, o que daria aos produtores, alguns dos quais vivem quase exclusivamente do mirtilo, um preço superior.

"O volume da exportação deverá reduzir, pelo menos, 20%", estimou José Sousa, da Mirtilusa, enquanto Paulo Lúcio, da Bagas de Portugal, deu como exemplo uma encomenda de limas que estava para sair do país e o camião já não seguiu.

Além dos mirtilos, foi perdida praticamente toda a produção de groselha e foram afetadas outras culturas como maracujá e citrinos, além de hortícolas.

A agravar a situação, as produções não estavam seguras, o que leva o presidente da Câmara a apelar ao governo para intervir com urgência.

"A Câmara Municipal está a desenvolver contactos com as instituições ligadas ao Ministério da Agricultura, no sentido de ver que apoio é que é possível. Há aqui um problema que é a inexistência de seguros porque não há seguros específicos para aquele tipo de culturas e as pessoas não o conseguiram fazer. Esperamos que o Ministério da Agricultura seja sensível a isso", disse à Lusa António Coutinho.

O autarca apela aos produtores para fazerem chegar prova pormenorizada dos prejuízos sofridos, para completar o levantamento já iniciado, e hoje mesmo estiveram no local técnicos da Direção Regional de Agricultura para verificar no terreno as consequências.

"O prejuízo é grande e esperamos ter rapidamente concluído o respetivo relatório, que será enviado ao ministro da Agricultura e ao Parlamento", deu conta o presidente da Câmara.

António Coutinho refere que, em alguns casos, a próxima colheita pode também ser afetada, devido ao estado em que ficaram as plantas, pelo que está já a ser dado apoio técnico aos produtores, através da respetiva associação, a AGIM, para a recuperação dos pomares.

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