Reportagem

Greve de motoristas de matérias perigosas. A situação ao minuto

por RTP

Ao sétimo dia de paralisação, o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) decidiu este domingo desconvocar a greve para reiniciar as negociações com a ANTRAM, mas ameaça fazer greve às horas extraordinárias caso os patrões não respondam às reivindicações na reunião de terça-feira.

23h40 - Greve desconvocada, ameaça de nova paralisação. Tudo em suspenso até terça-feira

O dia fica marcado pela decisão do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas em desconvocar a greve que já durava há sete dias. O anúncio foi feito depois do plenário de trabalhadores que se realizou em Aveiras de Cima, durante cerca de três horas.

Se por um lado os trabalhadores aceitam voltar às negociações com a ANTRAM e saem de greve, deixam um aviso: se as suas reivindicações não forem satisfeitas, haverá uma nova paralisação, desta feita às horas extraordinárias.

Entretanto, tanto a ANTRAM como o Governo elogiaram e saudaram a decisão do Sindicato. André Matias de Almeida, da associação que junta os patrões, diz que foi um dia de vitória para o "diálogo" e o primeiro-ministro, António Costa, deixou "votos de sucesso" para as conversações.

Na segunda-feira, o chefe de Governo vai avaliar as condições para declarar o fim da crise energética - que duraria até dia 21 - e convocar um Conselho de Ministros para esse efeito.

Agora, mantém-se tudo em suspenso até terça-feira, dia em que o SNMMP e a ANTRAM se reúnem no Ministério das Infraestruturas e Habitação, pelas 16h00.

23h20 - ANTRAM saúda decisão do sindicato em desconvocar a greve

Em declarações à RTP, André Matias de Almeida, porta-voz da ANTRAM, saudou a decisão do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas em desconvocar a greve.

"Hoje ganhou o diálogo, ganhou a negociação", destacou o responsável.

A ANTRAM está ainda à espera da convocatória para a reunião de terça-feira com o Governo, mas diz-se disponível para se sentar à mesa das negociações já a partir de amanhã.

André Matias de Almeida destaca que as negociações devem ter "duas balizas", começando pelas "exigências legítimas" do sindicato, em defesa dos seus trabalhadores, e por outro lado aquilo que os empregadores "podem suportar".

Sobre a possibilidade de não sair um acordo na reunião de terça-feira, a ANTRAM sublinha que "o processo negocial tem o seu tempo".

"Não creio que as negociações tenham que estar balizadas em 10 horas ou num dia. (...) Acho que as coisas não podem ficar resolvidas numa reunião", considerou o responsável.

Quanto à ameaça de greve às horas extraordinárias deixada hoje pelo sindicato após o plenário, André Matias de Almeida prefere destacar que "este não é o tempo das ameaças, é o tempo do diálogo, da negociação".

"Aceitaremos a proposta do sindicato, iremos analisá-la e estudá-la", afiança.

22h20 - PM avalia fim da crise energética

António Costa visita na segunda-feira de manhã, a partir das 8h00, a ENSE - Entidade Nacional para o Setor Energético, de onde vai avaliar as condições para declarar o fim da crise energética e convocar um Conselho de Ministros eletrónico para o efeito.

Às 9h00, António Costa visita o Comando Conjunto para as Operações Militares do Estado-Maior General das Forças Armadas,, em Oeiras, e às 10h00 vai estar nas instalações do SSI - Sistema de Segurança Interna.

De recordar que o Conselho de Ministros declarou no dia 9 de agosto a situação de crise energética, para o período compreendido entre as 23h59 desse dia e as 23h59 de 21 de agosto.

22h14 - Quais os valores que separam patrões e sindicato?

Cinquenta euros. Trata-se do valor exigido pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas e diz respeito ao aumento pedido do subsídio de operações.

A exigência de progressão salarial, pedida desde o início da greve, já caiu.

21h00 - Primeiro-ministro saúda decisão

No Twitter, o primeiro-ministro António Costa saudou a decisão de desconvocação da greve de motoristas e deixou "votos de sucesso" para o diálogo entre as partes.


Numa sequência de tweets, o chefe de Governo elogiou o "elevado civismo" dos portugueses numa "semana difícil".

Deixou ainda um agredecimento às Forças Armadas, de Segurança e agentes que contribuiram para minimizar os impactos da greve. António Costa ressalvou ainda o papel do Governo pelo "permanente empenho".


20h22 - Governo confirma reunião

O Governo confirmou este domingo, após a desconvocação da greve, que irá decorrer na próxima terça-feira uma reunião no Ministério das Infraestruturas.

"Caso o plenário do sindicato desconvoque a greve, a reunião no Ministério das Infraestruturas e Habitação, terça-feira, pelas 16h00, está confirmada", disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério.

19h43 - Greve foi desconvocada

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) decidiu desconvocar a greve dos motoristas para reiniciar as negociações com a ANTRAM.

Na declaração à saída do plenário, o sindicato de motoristas de mercadorias de matérias perigosas ameaçou fazer greve às horas extraordinárias, fins de semana e feriados, caso os patrões não respondam às reivindicações na reunião de terça-feira.

A decisão foi anunciada pelo presidente do sindicato, Francisco São Bento, e pelo porta-voz, Pedro Pardal Henriques, ao fim da reunião de trabalhadores que durou cerca de três horas.


A greve foi desconvocada apesar da "posição intransigente" da ANTRAM e depois de o Governo "restringir e tentar eliminar o direito à greve", convocando "serviços mínimos com o único objetivo de proteger as empresas associadas à ANTRAM", bem como recorrendo a "forças de segurança e militares".

"O sindicato nunca esteve interessado em prejudicar os portugueses", acrescentou Francisco São Bento, na leitura das deliberações do sindicato.

O SNMMP decidiu, após o plenário com os trabalhadores, desconvocar a greve em curso desde segunda-feira.

Mas, caso a ANTRAM volte a demonstrar "uma postura intransigente" na reunião da próxima terça-feira, na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), os motoristas poderão avançar com greve às horas extraordinárias, fins de semana e feriados.

18h55 - "Stocks estáveis e elevados"

O ponto da situação a crise energética feito pelo Governo dá conta de que hoje não houve cargas tal como estava previsto, exceção feita aos aeroportos Humberto Delgado e de Faro.

"Os serviços de abastecimetno nos aeroportos foram os previstos", tendo sido mobilizadas quatro equipas das Forças Armadas para abastecer o aeroporto em Lisboa.

Até às 17h00, a rede REPA exclusiva apresentava níveis de preenchimento de stocks de gasóleo a 60,9 por cento e 91,46 por cento de gasolina.

Já a rede REPA não exclusiva tinha 60,86 por cento de gasóleo e 43,53 de gasolina.

"Apesar de ser altura de mudança de quinzena, em que há um aumento significativo do consumo, os stocks mantêm-se estáveis e elevados", conclui a nota do Ministério do Ambiente.

17h00 - Plenário começou com meia-hora de atraso em Aveiras

Começou com cerca de meia hora de atraso o plenário de trabalhadores, pouco depois das 16h30. Em discussão estarão novas formas de luta ou mesmo a suspensão da própria greve, que dura já há sete dias.

No plenário, que se realiza à porta fechada, estão cerca de 100 trabalhadores, incluindo elementos do sindicato dos estivadores. À chegada, o porta-voz, Pedro Pardal Henriques, remeteu todas as declarações para o final da reunião com os associados.

No entanto, um dos primeiros elementos a chegar, um responsável pelo sindicato na região Norte, disse aos jornalistas que, por ele, a greve se manteria "por mais um ano".

Manuel Mendes, coordenador norte do sindicato de motoristas de matérias perigosas, teme que a situação dos trabalhadores continue "igual", caso a greve seja desconvocada.

De acordo com a agência Lusa, a reunião de terça-feira com o Governo e a ANTRAM só se poderá realizar se o plenário de hoje desconvocar a greve.

16h01 - Plenário ainda não começou

De acordo com a equipa de reportagem da RTP em Aveiras de Cima, o plenário deveria começar às 16h00 mas ainda não se iniciou. No local estão cerca de 20 motoristas, grande parte que viajou do norte do país para estar presente.

14h20 - Reunião na terça-feira "caso plenário desconvoque greve"

Fonte governamental, citada pela agência Lusa, veio entretanto confirmar que haverá uma reunião na terça-feira entre ANTRAM e Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas. Isto se o plenário desta tarde colocar um ponto final à greve.

"Caso o plenário do sindicato desconvoque a greve, a reunião no Ministério das Infraestruturas e Habitação, terça-feira, pelas 16h00, está confirmada", afirmou a mesma fonte, sem mais detalhes.

13h20 - Piquete volta a desmobilizar

O piquete da greve dos motoristas de matérias perigosas em Aveiras de Cima voltou a desmobilizar cerca das 12h30.

As atenções dos profissionais voltam-se agora para o plenário sindical, que tem início às 16h00.

12h54 - ANTRAM também aguarda

A ANTRAM espera que no plenário desta tarde os motoristas acabem com a greve para se poder negociar.

Ouvido ao final da manhã pela Antena 1, o porta-voz da associação patronal, André Matias de Almeida, manifestou o desejo de que haja um “cessar-fogo”, tendo em conta a aparente reaproximação dos últimos dias.

Todavia, a ANTRAM continua a pôr como condição prévia às negociações o fim da greve.

André Matias de Almeida admite a hipótese de se chegar a uma nova proposta que permita o entendimento entre patrões e trabalhadores.

12h40 - Governo pronto a marcar reunião "tão brevemente quanto possível"

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de o Governo voltar a receber na próxima terça-feira os representantes do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, tal como avançou fonte desta estrutura à RTP, o ministro do Ambiente escusou-se a confirmar qualquer data.

"Não confirmo a marcação de nenhuma reunião, com a certeza de que, se de facto, hoje, o plenário desistir da greve, essa reunião será marcada imediatamente. Nem vejo razão para que não seja marcada já para amanhã, segunda-feira", retorquiu Matos Fernandes.

12h30 - "Forte expectativa" do Governo face ao plenário do SNMMP


O ministro do Ambiente e da Transição Energética acaba de fazer o ponto de situação do quadro de crise energética no país. Matos Fernandes começou por sublinhar, uma vez mais, a superação dos serviços mínimos ao longo do dia de sábado.

"Ontem, os serviços mínimos foram ultrapassados. Foram cumpridos em 123 por cento, o que traduz um número expressivo de trabalhadores que já não estão em greve. Estavam previstos, em todo o país, 256 transportes de combustível, por camião-cisterna, e foram executados 315", apontou.

"Hoje, domingo, como é normal, só existe o abastecimento aos aeroportos, o que é comum nos domingos, mesmo quando não há greve. Em Faro, há uma hora atrás, das 28 viagens previstas para hoje, já tinham sido cumpridas dez. E para o Aeroporto de Lisboa, que tem sido sempre aquele que tem tido números mais fracos, e às vezes não conseguimos cumprir todas as cargas previstas, os números de hoje, a esta hora, mais concretamente às 11h30, são muito superiores aos de ontem", continuou Matos Fernandes.

Ao final da manhã, estavam cumpridas 60 por cento das viagens previstas para o aeroporto; no sábado, à mesma hora, só 25 por cento das viagens haviam sido feitas.

"Dizer ainda que as duas refinarias, Sines e Leça da Palmeira, e a própria CLC estão em prontidão para fazer qualquer abastecimento que seja necessário aos postos de combustível", afirmou ainda o titular da pasta do Ambiente.

Até às 12h00, só fora feito um pedido de abastecimento.

O ministro referiu-se também ao recurso a militares: "Tem vindo a reduzir-se. Durante a noite não houve utilização de Forças Armadas. Desde as 7h00 que há três equipas a fazerem transporte de Aveiras para o Aeroporto de Lisboa, substituindo três baixas declaradas por trabalhadores".

De acordo com o governante, há outras seis equipas em prontidão, tendo em vista cobrir eventuais lacunas motivadas pela presença de motoristas no plenário desta tarde.

O governante manifestou também "a forte expectativa" de que "o único sindicato que ainda se encontra em greve" reúna condições, no plenário, para parar o protesto.

12h20 - Motoristas regressam ao piquete

Ao final da manhã, alguns motoristas haviam já regressado ao local do piquete da greve em Aveiras de Cima, junto à Companhia Logística de Combustíveis, como constatou a equipa de reportagem da RTP.

Ouvido pela jornalista Mariana Flor, José Ferreira, um dos motoristas agora presentes no piquete, manifestou a expectativa de haver "alguma resolução" antes do plenário desta tarde.

"Nós não andamos aqui para fazer guerras com ninguém", acrescentou, visivelmente emocionado.

12h05 - Nova ronda de negociações em perspetiva

Segundo fonte do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, estará marcada para a próxima terça-feira uma nova ronda de negociações com a presença do Governo.

Por agora, nem Governo nem ANTRAM confirmam esta informação.

11h00 - GNR impediu homem de se "atirar de viaduto"

Em comunicado hoje difundido, a Guarda Nacional Republicana adianta que, na passada quinta-feira, militares do Comando Territorial de Lisboa impediram um homem de 39 anos de se "atirar de um viaduto" perto da Companhia Logística de Combustíveis, em Aveiras de Cima - o local do piquete da greve dos motoristas de transporte de matérias pesadas.

"Alguns jornalistas alertaram a GNR de que se encontrava naquele local, perto dos grevistas, um homem com um comportamento estranho e na posse de uma arma branca", lê-se no comunicado.

"De imediato os militares foram no encalço do indivíduo, tendo-o localizado num morro, junto ao viaduto da estrada nacional n.º 366, num dos acessos à CLC. Considerando as informações recolhidas, foram tomadas todas as medidas necessárias para garantir a segurança do suspeito, dos grevistas, órgãos de comunicação social e dos próprios militares", acrescenta a GNR.

"Na abordagem ao indivíduo, os militares verificaram que o homem tinha uma faca dissimulada na manga da camisola e apresentava um comportamento notoriamente descompensado", lê-se no mesmo texto.

O homem foi posteriormente "conduzido para uma unidade hospitalar, através de um mandado de internamento compulsivo, e a arma branca foi apreendida".

10h13 - Ministro do Ambiente fala depois das 12h00

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, fará novo ponto de situação sobre o quadro de crise energética pelas 12h15, a partir das instalações da Agência Portuguesa do Ambiente no Porto.

A conferência de imprensa é anunciada em comunicado do gabinete do ministro.

9h22 - Ninguém no piquete da greve em Aveiras

Foi o que constatou esta manhã a equipa de reportagem da RTP no local.

Recorde-se que o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas anunciou a desmobilização ao início da noite de sábado, véspera do plenário.

A reunião com os associados da estrutura sindical decorre a partir das 16h00 na Junta de Freguesia de Aveiras.

8h30 - O que dizem ANTRAM e SNMMP

Recordamos as últimas posições assumidas pelo SNMMP e a ANTRAM.

Os motoristas aceitam reunir-se ainda esta manhã sob mediação do Governo, mas rejeitam terminar a greve para as negociações. O sindicato falam apenas de uma suspensão.

A ANTRAM mantém o apelo ao diálogo, mas repete que, para que tal aconteça, a greve tem de terminar.


7h38 – Dia de plenário com perspetiva de negociações


As negociações entre a Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) podem ser retomadas nas próximas horas.

A estrutura que representa o patronato dispôs-se no sábado a sentar-se à mesa com os representantes sindicais num processo mediado pelo Governo, através da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. Isto depois de uma infrutífera maratona negocial de dez horas, iniciada na tarde de sexta-feira e concluída na madrugada de sábado.

Por sua vez, o SNMMP reiterou a intenção de interromper a paralisação enquanto o diálogo estiver em marcha. Ao mesmo tempo, o porta-voz Pedro Pardal Henriques afirmou acolher com agrado a posição da ANTRAM, mas sublinhou que importa que esta aceite a base de entendimento já discutida.

Em comunicado, o SNMMP apela à estrutura dos patrões para que aceite a proposta articulada com o Executivo e abra assim “caminho para a paz duradoura”. Por outro lado, sustenta que o Governo deverá fazer uso das “ferramentas que ainda tem ao dispor para chamar à razão a ANTRAM”, fazendo “chegar uma proposta que cumpra mínimos de dignidade, por forma a ser apresentada aos motoristas” durante o plenário deste domingo.

Com ou sem regresso às negociações, os associados do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas vão reunir-se em plenário, a partir das 16h00, em Aveiras de Cima.

O piquete de Aveiras desmobilizou por completo ao início da última noite.

“Crescente normalidade”

Também ontem o Ministério do Ambiente e da Transição Energética deu nota do cumprimento da requisição civil e mesmo de uma superação dos serviços mínimos. O último balanço das autoridades apontava mesmo para “uma crescente normalidade da situação”.

A greve – convocada por tempo indeterminado - teve início na passada segunda-feira, dia 12 de agosto. Num primeiro momento juntou o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas e o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias. Esta estrutura acabou por abandonar o protesto na noite de quinta-feira, em resultado de uma reunião com a ANTRAM mediada pelo Governo.

A requisição civil foi decretada no primeiro dia da greve, medida justificada pelo Governo com o incumprimento de serviços mínimos.