Guerra dos drones. Preços de combustíveis podem disparar

por RTP
Corretores na Bolsa de Wall Street, em 2011 Brendan McDermid, Reuters

Os rebeldes houthis atingiram o nervo da economia saudita. Os EUA dizem que foi o Irão mas, por trás da escalada retórica, poderão no imediato ser beneficiados pela incapacidade de fornecimentos sauditas.

A companhia petrolífera saudita Aramco admitiu que, após os ataques ontem levados a cabo por drones dos rebeldes iemenitas, terá de reduzir a sua produção a metade.

Os ataques e os incêndios deles resultantes só não causaram um abalo nas bolsas, porque estas se encontravam fechadas. Mas, na segunda feira, anuncia-se um dia movimentado para os negociantes de derivados, corretores bolsistas e especuladores. Os preços, admitem os especialistas, podem já amanhã disparar em cinco a dez dólares por cada barril de 159 litros.

É que, segundo os especialistas, devido à redução da produção da Aramco, a oferta de petróleo no mercado mundial pode sofrer uma quebra até 5 por cento. Um desses especialistas, Bob McNally, da consultora Rapidian Energy, calcula que, se a redução durar uma semana, os preços poderão mesmo subir uns 15 a 20 dólares por barril e voltar, assim, a superar a emblemática marca dos 100 dólares.

O chefe do Departamento de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ignorou a assunção de responsabilidades no ataque de ontem por parte dos rebeldes houthis, e veio a terreiro acusar o Irão. Acrescentou mesmo uma ameaçadora advertência de que o Irão deve pagar o preço das suas agressões.

Em Teerão, Pompeo obteve uma resposta dura, acusando-o de mentir e negando envolvimento iraniano na acção dos houthis, que beneficiam do seu apoio genérico mas não necessariamente em cada uma das operações que empreendem.

Contudo, Christyan Malek, um analista do JP Morgan Bank citado pela agência Reuters, sugere que a escalada retórica não corresponde a danos reais causados aos interesses norte-americanos e, portanto, poderá não constituir prova segura de que tenha falhado o projecto de uma cimeira entre Donald Trump e o líder iraniano Rohani.

Segundo Malek, o golpe sofrido pela Arábia Saudita, até agora o maior produtor do mundo e o detentor das maiores reservas, coloca os Estados Unidos, actualmente com cerca de 15 por cento da produção mundial, na posição de fiel da balança e de único país que pode efectivamente dosear a sua oferta com um intuito estabilizador do mercado mundial.

Mesmo que os EUA só temporariamente fiquem com a faca e o queijo na mão, isto poderá trazer às suas petrolíferas ganhos astronómicos, tanto mais que os dois outros países com reservas capazes de beneficiarem da situação - Venezuela e Irão - são objecto de um embargo que lhes levanta grandes dificuldades.