Inflação no Brasil cresce 0,26% em junho, após dois meses de deflação

por Lusa

São Paulo, 10 jul 2020 (Lusa) -- Os preços no Brasil cresceram 0,26% em junho face ao mês anterior, acabando com dois meses seguidos de deflação, divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A taxa foi influenciada pelo aumento nos preços dos combustíveis após reduções nos últimos quatro meses, em especial da gasolina, que teve o maior impacto individual (0,14 pontos percentuais), com alta de 3,24%", frisou o órgão de pesquisa do Governo brasileiro, em comunicado.

A inflação no país acumula um crescimento de 0,10% este ano e de 2,13% em 12 meses. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, sete apresentaram alta em junho.

O grupo com maior impacto no resultado da inflação foi o de Alimentação e Bebidas (0,38%). O grupo já vinha de uma sequência de subida graças à procura elevada durante a pandemia de covid-19.

"As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa, por exemplo, ainda estão em vigor em boa parte do país. Isso gera um efeito de demanda e mantém os preços num patamar mais elevado", explicou Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.

Já a categoria Transportes foi a segunda maior contribuição para a inflação (0,06 pontos percentuais), com preços que subiram 0,31%, mas que vinham de quatro meses consecutivos de queda.

"Houve uma alta nos preços dos combustíveis que chegou às bombas e teve impacto no consumidor final. Isso alterou o grupo de Transportes e influenciou no IPCA", frisou Kislanov.

Em relação aos índices regionais, quatro das 16 áreas pesquisadas apresentaram deflação em junho, sendo o menor índice para o município de São Luís (-0,35%), capital do estado do Maranhão, no nordeste do país, e o maior registado na região metropolitana de Curitiba (0,80%), capital do Paraná, estado localizado no Sul do Brasil.

O IBGE referiu que para o cálculo do índice do mês de junho, foram comparados os preços recolhidos em consultas telefónicas no período de 29 de maio a 30 de junho de 2020 com os preços vigentes no período de 30 de abril a 28 de maio de 2020.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,75 milhões de casos e 69.184 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou 555 mil mortos e infetou mais de 12,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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