Massificação do jogo com menos jogadores VIP beneficia Macau e operadores

| Economia

As analistas da Standard & Poor`s (S&P) que seguem Macau disseram hoje à Lusa que a aposta na massificação do jogo em detrimento dos grandes jogadores é uma tendência positiva para o Governo e para os operadores.

"A percentagem de grandes jogadores face aos jogadores em massa tem vindo a diminuir, ficou abaixo dos 50% no princípio deste ano, quando dantes a relação era de mais de 70 jogadores para VIP 30 jogadores em massa, e isso, na nossa perspetiva, é salutar", disse a vice-diretora da análise de `rating` empresarial da região Ásia Pacífico, Sandy Lim.

Na entrevista à Lusa nos escritórios da S&P em Hong Kong, as analistas explicaram que "a primeira vantagem do aumento dos jogadores em massa e diminuição dos jogadores VIP tem a ver com a volatilidade destes gastos, que estão ligados à liquidez, aos angariadores e ao sentimento geral da macroeconomia, ao passo que os jogadores com menos poder financeiro, apesar de também estarem dependentes de vários fatores, têm um comportamento mais estável.

"O `mix` é mais salutar porque há mais estabilidade, os gastos podem crescer pouco, mas crescer constantemente e de forma sustentada", argumentou a diretora do departamento de análise de `rating` empresarial, Sophie Lin.

Para além da menor volatilidade, o aumento da percentagem de jogadores oriunda da classe média tem a ver com as margens: "Os angariadores de grandes apostadores [`junckets`, no original em inglês] representam 5 a 15% da receita das operadores, enquanto as margens para os jogadores em massa andam nos 25 a 40%, por isso são muitos mais lucrativos para as operadoras", argumentou Sandy.

Questionada sobre a evolução a curto prazo desta relação entre o número de jogadores VIP e jogadores da classe média, as analistas responderam que "apesar de poder haver alterações de trimestre para trimestre, a percentagem de jogadores VIP vai continuar a diminuir e os jogadores em massa vão valer mais de 50%, crescendo de forma sustentada".

O objetivo do Governo e também dos operadores, dizem, "é promover mais receitas vindas dos jogadores em massa e menos dos jogadores VIP", concluíram as analistas.

As receitas dos casinos em Macau caíram 2,4% no primeiro trimestre deste ano face ao período homólogo de 2018, e em abril caíram 8,3%, de acordo com os últimos dados da Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau.

Uma das principais razões para a quebra das receitas dos casinos prende-se com a diminuição das receitas angariadas nas salas de grandes apostas, tradicionalmente frequentadas pelos `jogadores VIP`: no primeiro trimestre deste ano, o jogo `VIP` sofreu uma redução de 13,4%, em relação ao período homólogo do ano passado, no qual tinha atingido 42,95 mil milhões de patacas (4,7 mil milhões de euros).

No ano passado, as receitas geradas pelo jogo `VIP` foram de 166,09 mil milhões de patacas (18,02 mil milhões de euros), o que representa 54,8% do total arrecadado pelos casinos de Macau ao longo do ano, num total de quase 32,8 mil milhões de euros.

Contudo, nos três primeiros meses do ano, a fatia das grandes apostas representou apenas 48,8% do bolo total das receitas.

O resultado absoluto alcançado em 2018 foi o maior desde 2014, quando as receitas geradas pelo jogo `VIP` registaram 212,535 mil milhões de patacas.

Macau, capital mundial do jogo e único território na China onde o jogo em casino é legal, registou, no ano passado, 302,846 mil milhões de patacas (32,796 mil milhões de euros) em receita do jogo, um aumento de 14% em relação face a 2017.

Tópicos:

Direção Inspeção, Macau, S&P, Standard & Poor, VIP,

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